Tudo o que precisa de saber sobre o Acidente Vascular Cerebral (AVC)
[elency_Row]
[ 6, null, null, null ]
false
#ffffff
[elencyprop]
O Acidente Vascular Cerebral (AVC) continua a ser uma das principais causas de morte no mundo, sendo também a principal causa de morbilidade e de potenciais anos de vida perdidos.
Nos Estados Unidos, em 2018, uma em cada seis mortes por doença cardiovascular foi devido a um acidente vascular cerebral. A cada 40 segundos alguém tem um AVC e a cada 4 minutos alguém morre devido a esta doença. Sendo que todos os anos, mais de 795.000 pessoas nos Estados Unidos sofrem um derrame cerebral. Neste país o AVC é a principal causa de incapacidade grave a longo prazo e reduz a mobilidade em mais de metade dos sobreviventes com 65 anos ou mais.
Em Portugal, apesar de se ter verificado, na última década, uma redução na mortalidade por AVC este continua a ser a principal causa de morte e incapacidade permanente. Por hora, 3 portugueses são vítimas de AVC. Um deles não sobrevive e, dos restantes, metade ficará com sequelas incapacitantes. Por ano, em cada 1000 habitantes, 2 sofrem um AVC, sendo que cerca de 30% desses doentes acabam por morrer e cerca de 40% ficam incapacitados.
Em 2019 o INEM registou, até ao dia 27 de outubro, 3.456 casos de AVC, tendo sido encaminhados para a Via Verde AVC, uma média de 11 casos por dia. Os distritos de Porto e Lisboa registaram o maior número destes encaminhamentos, com 819 e 702 casos, respetivamente. Estes números são semelhantes aos de anos anteriores, existindo um ligeiro aumento de casos comparativamente aos anos anteriores. Isto levanta preocupações e a necessidade de trabalhar mais junto da população de forma a prevenir a doença e a promover hábitos de vida saudáveis.
É também essencial instruir as pessoas de forma a conseguirem detetar rapidamente sinais e sintomas de um AVC de forma a garantir um rápido socorro, para que seja possível um aumento na eficácia dos tratamentos disponíveis.
Mas afinal o que é um Acidente Vascular Cerebral?
O Acidente Vascular Cerebral (AVC), também usualmente conhecido por trombose cerebral, é um défice neurológico súbito e acontece quando o fornecimento de sangue para uma parte do cérebro é impedido ou reduzido, devido a um bloqueio (isquémico) ou a um rompimento de uma artéria cerebral (hemorrágico).
Quando o acidente acontece, o sangue deixa de fluir para uma determinada parte do cérebro danificando as células cerebrais – os neurónios. Estas células são o principal constituinte do cérebro e para viverem necessitam do aporte continuo de oxigénio e nutrientes. O transporte de oxigénio e nutrientes é realizado através do sangue arterial que utiliza as artérias como meio de transporte. Quando esse aporte é inexistente ou ineficaz, os neurónios começam a morrer. E dependendo da zona do cérebro afetada podem surgir diferentes sintomas e causar diferentes sequelas.
O cérebro é dividido em 2 hemisférios (esquerdo e direito), sendo estes também dividido em partes que ativam determinadas funções como a de falar, mobilizar os diferentes membros, raciocinar, memorizar, entre todas as outras. Aliás, o nosso cérebro comanda todas as nossas funções enquanto seres humanos. Por isso quando estamos perante uma suspeita de AVC estamos perante uma emergência médica que exige uma atuação rápida.
Existem dois tipos de AVC:
Isquémico: são causados por um bloqueio de uma artéria por um coágulo ou placa de ateroma (placa de “gordura”) que se instalam nas paredes das artérias;
Hemorrágico: quando existe uma rotura de uma artéria cerebral levando à diminuição ou interrupção total do fluxo sanguíneo.
Tipos de Acidente Vascular Cerebral
Cerca de 87% de todos os acidentes vasculares cerebrais são isquémicos, sendo a aterosclerose uma das principais causas destes acidentes. Já os AVC de origem hemorrágica são menos frequentes e geralmente ocorrem pelo enfraquecimento das artérias provocadas pela tensão arterial alta (hipertensão arterial).
Existe ainda um acidente vascular cerebral chamado de AIT – Acidente isquémico transitório. Neste tipo de acidente também conhecido como “mini-AVC” ou “AVC de aviso”, existe um bloqueio temporário de uma artéria cerebral por um pequeno coágulo, mas que é resolvido espontaneamente. Os sintomas do AIT geralmente duram menos de uma hora, podendo durar apenas alguns minutos. Estes “mini” acidentes são um aviso importante de que um AVC mais grave pode ocorrer em breve. Constituem na mesma uma emergência médica devendo ser ativado o pré-hospitalar – 112.
Quais são os sinais e sintomas de um Acidente Vascular Cerebral (AVC)?
Os efeitos do AVC são diferentes para cada pessoa. Eles podem ser leves, moderados ou graves. A gravidade depende de fatores como:
Tipo de acidente vascular cerebral (isquémico, hemorrágico ou AIT);
Lado do cérebro onde ocorreu o acidente (hemisfério direito ou esquerdo);
Lobos (partes) do cérebro afetados pelo acidente;
Tamanho da área danificada no cérebro;
Funções corporais controladas pela área afetada;
Quantidade de tempo que a área do cérebro não teve fluxo sanguíneo;
Tempo que levou para chegar ao hospital.
Existem os sinais mais comuns de AVC (Sinais de Alerta – 3F’), que são os mais prováveis de serem causados por este tipo de acidente do que qualquer outra patologia e onde são avaliados a Força, Face e Fala:
Desvio da Face ou da comissura labial (“boca ao lado”);
Diminuição ou perda de Força num dos lados do corpo (braço, perna ou ambos);
Alterações na Fala.
Como reconhecer um Acidente Vascular Cerebral
Perante estes sinais deve-se:
Verificar se a vítima consegue levantar os braços e/ou as pernas. Se estiver a sofrer um AVC poderá conseguir mexer apenas um dos lados;
Pedir à vítima para sorrir. Se existir alguma assimetria no sorriso (se a vítima sorrir apenas de um lado), poderá ser um indicador que existe paralisia do outro lado da cara;
Tentar falar com a vítima para perceber se esta comunica com clareza. Dificuldade em articular as palavras, perceber o que lhe é dito ou não se conseguir exprimir é um dos sintomas mais específico.
É importante ressalvar que nem todas as vítimas de AVC irão apresentar todos os sinais de alarme. Se for percebido qualquer um deles deve ligar 112 rapidamente. Não perca tempo.
Existem ainda alguns sinais adicionais de AVC que são menos comuns, mas também merecem toda a atenção:
Alterações visuais (visão turva ou dupla, p.ex.);
Dor de cabeça forte e súbita – geralmente acompanhada por alguns dos outros sinais;
Dormência – geralmente num dos lados do corpo;
Problemas de equilíbrio.
A rápida assistência, o encaminhamento para a unidade de saúde adequada e a intervenção médica especializada são vitais para o sucesso do tratamento e posterior recuperação do doente.
Qual o tratamento de um Acidente Vascular Cerebral (AVC)?
Se for assistido nas primeiras horas após o início dos primeiros sintomas, o doente pode reverter totalmente ou parcialmente os danos causados pelo AVC. Os tratamentos utilizados são tanto mais eficazes e seguros quanto mais cedo forem realizados. E a perda de tempo significa menor probabilidade de recuperação. Tempo é cérebro. Os tratamentos consistem na tentativa de desobstrução da artéria que está obstruída e impede a passagem do sangue.
Num primeiro momento é realizado um tratamento fibrinolítico – trombólise, em que é administrado por via intravenosa um fármaco (fibrinolítico) que vai desfazer o trombo. No caso de não resultar, existe uma intervenção mais invasiva, endovascular, em que o trombo é retirado da artéria por meios mecânicos (trombectomia mecânica).
Em alguns doentes basta o primeiro tratamento (trombólise), noutros doentes é necessário a trombólise seguida da trombectomia e em casos em que a trombólise é contra-indicada é apensa implementada a trombectomia.
Em Portugal, em 2006 foi criada a chamada Via Verde AVC. Esta Via permite que, ao ligar para o 112, e ao descrever os sinais de alerta, a chamada seja imediatamente encaminhada para o CODU (Centro de Orientação de Doentes Urgentes) que vai identificar, através de questões, um provável AVC, ativando a Via Verde. Com a Via Verde AVC, o doente é imediatamente encaminhado para o hospital de referência, capaz de responder a estas situações e que já está à espera da vítima, permitindo que o tempo de espera seja o mais reduzido possível. Daí a importância de se ligar 112 sempre que as vítimas de doença súbita apresentem os sinais e sintomas de AVC, de modo a reduzir o número de doentes com esta patologia que recorrem aos hospitais pelos seus próprios meios o que, na maior parte dos casos, atrasa o início do tratamento da doença, reduzindo a sua eficácia.
É de extrema importância, ao ligar 112, transmitir o máximo de informação, como a idade, sexo, os sinais e sintomas que motivaram a chamada, assim como a hora de início desses sintomas.
Desde a data em que esta Via Verde foi criada, 36.962 mil doentes puderam beneficiar de um melhor tratamento.
Quais as sequelas e complicações de um Acidente Vascular Cerebral (AVC)?
As sequelas e complicações de um AVC variam conforme a gravidade do acidente, do local do cérebro atingido e do tempo perdido entre o início dos sintomas e a implementação do tratamento adequado. Mais de dois terços dos doentes ficam com sequelas após AVC. Algumas podem ser reversíveis e outras permanentes, podendo ser mais graves ou ligeiras, tendo sempre um impacto na qualidade de vida do doente.
Essas sequelas podem dividir-se em:
Sequelas motoras: falta de força, rigidez excessiva num dos lados do corpo, perda de coordenação dos movimentos, perda da marcha e dificuldade na deglutição (disfagia);
Sequelas Cognitivas: problemas de memória, dificuldade para a expressão verbal dos pensamentos e compreensão do que nos é dito (afasia), lentificação dos processos mentais, dificuldade de concentração e planeamento de tarefas;
Sequelas Comportamentais: apatia, depressão e ansiedade entre outras;
Sequelas Sensoriais: perda de sensibilidade numa parte do corpo, alterações do controlo dos esfíncteres, entre outras.
Qualquer uma destas complicações vai causar impacto na qualidade de vida do doente, causando na maior parte das vezes alterações na dinâmica familiar, social e de trabalho.
Quais os fatores de risco do Acidente Vascular Cerebral (AVC) e como prevenir?
O AVC, predomina mais nos idosos, no entanto pode aparecer em qualquer idade.
A maioria dos riscos de vir a sofrer de um AVC são praticamente os mesmos das doenças cardiovasculares.
No entanto nunca é demais relembrar. Existem os fatores de risco modificáveis: Sedentarismo, obesidade, hipertensão arterial, tabagismo, diabetes mellitus, hipercolosterolemia, fibrilhação auricular e consumo de bebidas alcoólicas. Estes fatores são aqueles que, mediante controlo e tratamento, podem ser minimizados de forma a terem um impacto menos relevante no risco de AVC. Temos ainda, no caso específico das mulheres, em que a contraceção oral e a terapia de reposição hormonal aumentam o risco de AVC.
Por isso, para ajudar a prevenir um AVC deve:
Controlar a Hipertensão Arterial;
Prevenir ou tratar a Diabetes;
Reduzir os níveis de Colesterol e Triglicerídeos;
Reduzir o peso, prevenindo a obesidade;
Praticar regularmente exercícios físicos;
Deixar de fumar e consumir bebidas alcoólicas;
Existem ainda os fatores de risco não modificáveis como os fatores genéticos individuais, a hereditariedade, a idade, raça ou sexo. Estes fatores de risco não são passíveis de qualquer tipo de intervenção sendo, no entanto, menos comuns no total de AVC que surgem diariamente.
Se todos conseguirmos identificar os fatores de risco modificáveis todos temos um papel na prevenção do AVC através da adoção de estilos de vida saudáveis e com o devido controlo de cada um destes fatores de risco.
Bibliografia
Centers of desease control and prevention. Stroke. CDC. 2021. Disponível aqui.
Direção Geral da Saúde. Via Verde do Acidente Vascular Cerebral no Adulto – Norma nº 015/2017. Normas de Orientação Clínica – NOCS.pt. 2017. Disponível aqui:
National Health Service. Stroke. NHS. 2019. Disponível aqui:
Serviço Nacional de Saúde. Dia Mundial do AVC. SNS. 2019. Disponível aqui.
Serviço Nacional de Saúde. Gestos que Salvam. Acidente Vascular Cerebral. SNS. 2017. Disponível aqui.
Sociedade Portuguesa do Acidente Vascular Cerebral. O essencial sobre Acidente Vascular Cerebral. Guia prático para a população. SPAVC. 2016. Disponível aqui.
[/elencyprop]
false
[ 0, null, null, null ]
[ 10, 16, 24, null ]
[ 0, null, null, null ]
[ 0, null, null, null ]
[/elency_Row]
Qual a importância de saber as calorias do que comemos?
[elency_Row]
[ 6, null, null, null ]
false
[elencyprop]
Se consumirmos mais energia (calorias) do que aquela que gastamos vamos entrar num excesso de energia fornecida ao organismo (excesso calórico). Essa energia não é consumida e é armazenada nas células em forma de gordura. E é assim que aumentamos a massa gorda, e consequentemente de peso. Se ingerirmos a mesma quantidade de calorias que gastamos entramos em equilíbrio e mantemos o peso corporal.
Ao ingerir menos energia do que o nosso organismo precisa entramos num deficit calórico. Nesse estado, o nosso corpo vai necessitar de recrutar mais energia para realizar as tarefas quotidianas. E onde vai buscar essa energia extra? à gordura corporal que é armazenada como depósito de reserva energética. Desta forma conseguimos diminuir a massa gorda e atingir o objetivo da perda de peso.
Estas são as bases de uma dieta. É tudo uma questão matemática: quanto mais energia ingerirmos mais acumulámos e vice-versa.
Neste sentido, é importante ter uma noção de quantas calorias têm os alimentos para podermos fazer o balanço calórico da nossa alimentação. Assim, temos uma noção do quanto precisamos de ingerir para atingir o objetivo, seja emagrecer, manter ou aumentar de peso.
No entanto não podemos considerar apenas a energia (calorias) dos alimentos, pois os nutrientes presentes na alimentação são importantíssimos e essenciais para mantermos a saúde e o normal funcionamento do organismo. Logo é fundamental termos sempre presente a composição nutricional de um alimento aliado ao seu valor calórico.
Por exemplo: um refrigerante tem mais ou menos a mesma quantidade de calorias que um copo de sumo natural de laranja. No entanto, o sumo natural é rico em vitaminas e antioxidantes que combatem o envelhecimento precoce e ajudam a reforçar a imunidade. E se for consumida a fruta inteira ainda melhor, porque conseguimos obter o benefício da fibra que esta contém. Sendo assim, o refrigerante vai proporcionar ao corpo calorias “vazias”, enquanto que o sumo de fruta fornece calorias cheias de nutrientes necessárias ao organismo.
Por isso, a importância de perceber o valor calórico dos alimentos, mas acima de tudo saber qual o seu valor nutricional e saber escolher a melhor opção. Já que temos que ingerir calorias proveniente dos alimentos para vivermos, que esta seja uma energia cheia de coisas boas.
[/elencyprop]
false
[ 0, null, null, null ]
[ 10, 16, 24, null ]
[ 0, null, null, null ]
[ 0, null, null, null ]
[/elency_Row]
Necessidade energética diária – Qual a sua importância e como calcular?
[elency_Row]
[ 6, null, null, null ]
false
[elencyprop]
É importante calcularmos as necessidades energéticas do nosso organismo, de forma a garantirmos uma gestão adequada de alimentos que nos vão fornecer energia durante o dia.
A energia é fornecida por alimentos e bebidas, sendo que todos os macronutrientes presentes nos alimentos (hidratos de carbono, proteína, gordura e álcool) fornecem-nos energia sob a forma de Kcal. As suas necessidades variam consoante determinadas variáveis como o género, a idade, o peso, a altura, o nível de atividade física, o estado de saúde, gravidez e amamentação.
Por exemplo, um homem de 30 anos com 1,70m de altura e 70Kg, que pratique exercício físico diariamente necessita de consumir mais energia (calorias) do que uma mulher de 60 anos com a mesma altura e peso, mas mais sedentária. Por isso é importante perceber as nossas necessidades energéticas de forma a ajustarmos a nossa ingestão calórica de forma a obtermos o peso pretendido.
De acordo com os valores de energia e as recomendações nutricionais preconizadas pela OMS, o valor energético total diário é calculado a partir de duas variáveis: Taxa de Metabolismo Basal (TBM) e o Fator de Atividade. Existe ainda o efeito térmico dos alimentos mas que é considerado um valor residual não entrando para o cálculo do valor energético.
Taxa metabólica basal (TMB)
A taxa metabólica basal indica a quantidade de energia que o corpo necessita para realizar as funções metabólicas básicas, ou seja para manter as funções básicas do corpo como respirar, manter a temperatura corporal e os órgãos vitais a funcionar quando está em repouso completo. Esta energia varia em função do género, faixa etária, peso e altura dos indivíduos.
Um adulto médio gasta cerca de 1,1kcal a cada minuto apenas para manter essas funções. Bebés e crianças pequenas tendem a ter uma TMB mais alta devido ao seu rápido crescimento e desenvolvimento. Os homens geralmente têm uma TMB mais alta do que as mulheres, pelo facto de terem mais músculo que consome mais energia e os adultos mais velhos geralmente têm uma TMB mais baixa do que os mais jovens, pois a massa muscular tende a diminuir com a idade.
A TMB é responsável, em média, por cerca de três quartos das necessidades de energia de um indivíduo.
Para calcular a taxa de metabolismo basal, a equação mais usada é a de Harris Benedict. Nesta equação são considerados os seguintes fatores: o sexo, a idade, a altura e o peso.
TMB Mulher = 655,1 + (9,5 x Peso (kg)) + (1,8 x Altura (cm)) – (4,7 x Idade)
TMB Homem = 66,5 + (13,8 x Peso (kg)) + (5 x Altura (cm)) – (6,8 x Idade)
Esta fórmula é bastante precisa para o cálculo da taxa metabólica basal. No entanto, é omitido um fator importante, que é a massa corporal magra e, portanto, a proporção entre músculo e gordura que um corpo possui. Nesse sentido, esta equação será muito precisa em todos exceto nas pessoas muito musculadas porque as suas necessidades calóricas serão subestimadas e nas pessoas com excesso de massa gorda porque as suas necessidades serão superestimadas. Corpos mais magros precisam de mais calorias do que os menos magros. Contudo, no geral é considerada uma das equações mais precisas.
Fator de atividade
O fator de atividade é a energia necessária para a realização das atividades diárias dos indivíduos. As pessoas gastam energia para realizarem todos os tipos de movimento e tarefas de vida diária. A quantidade de energia que uma pessoa usa para realizar essas tarefas também varia de acordo com o peso da pessoa (quanto mais pesada uma pessoa, mais energia é necessária para o movimento) e seu nível de atividade física (um atleta gasta mais energia do que uma pessoa sedentária).
Para calcular o fator de atividade são considerados os seguintes valores, de acordo com a equação de Harris Benedict:
Muito ativo (exercício físico intenso ou prática desportiva 6-7 dias/semana) = 1,725
Extremamente ativo (exercício físico intenso ou prática desportiva e trabalho físico) = 1,9
Efeito térmico dos alimentos
O efeito térmico dos alimentos é considerado todo o gasto energético atribuído ao consumo, digestão e absorção dos alimentos. Este pode variar com a composição dos alimentos, dependendo do tipo de macronutrientes ingeridos. Por exemplo, o alto consumo de gorduras pode alterar a quantidade de energia diária gasta excedendo a quantidade ideal, pois apresenta mais Kcal por grama do que os hidratos de carbono, por exemplo. No entanto, este efeito é considerado como residual, apresentando-se como uma pequena parte do total do gasto energético.
E como calcular as necessidades energéticas diárias?
Após o cálculo da taxa de metabolismo basal e atribuído o valor do fator de atividade o cálculo das necessidades energéticas diárias é realizado através da multiplicação destes dois valores.
Necessidades energéticas diárias = Taxa de metabolismo basal x Fator de atividade
A partir deste cálculo obtemos o valor da nossa necessidade energética diária. Este valor será uma referência para ajustarmos a nossa alimentação e atividade física de forma a atingirmos os objetivos pretendidos: perda, ganho ou manutenção de peso.
Contudo, é importante ressalvar de que o valor obtido é uma estimativa aproximada das suas necessidades energéticas reais, podendo apresentar pequenas variações que dependem maioritariamente da composição corporal do indivíduo (da massa magra e massa gorda) como vimos anteriormente.
É também importante salientar que os valores mencionados são aplicáveis a indivíduos adultos saudáveis. As crianças, grávidas e mulheres a amamentar têm necessidades energéticas acrescidas e os idosos poderão ter necessidades energéticas diminuídas.
Conclusão
Tendo em conta que a taxa metabólica basal não é facilmente modificável, para manter o peso corporal é necessárioequilibrar a energia proveniente da alimentação com a despendida na atividade física. Para perder peso, o gasto de energia deve exceder a ingestão, e para ganhar peso, a ingestão de energia deve exceder o gasto. Isso pode ser conseguido através de alterações na alimentação e/ou da atividade física praticada. Ou seja, podemos manter o mesmo tipo de alimentação, mas se aumentarmos a atividade física, incluindo por exemplo 30 minutos de caminhada por dia, permite-nos gastar mais energia mantendo o que comemos. Tendo em conta uma adoção de uma alimentação equilibrada, esta é a forma mais fácil e mais saudável de conseguirmos manter ou perder peso, pois aliamos os benefícios do exercício físico e evitamos dietas com restrições calóricas excessivas que possam causar défices na ingestão de nutrientes.
Os valores médios aconselhados para adultos saudáveis variam entre as 1500 e as 2500 Kcal, dependendo do estilo de vida de cada pessoa, principalmente do gasto calórico em atividade física. Nas mulheres, os valores médios variam entre 1500 e 1800Kcal e nos homens entre 2000 e 2500Kcal.
Estes valores têm como referência pessoas entre os 19 e os 51 anos. Já as crianças e adolescentes, com idades compreendidas entre os 2 e os 18 anos requerem um consumo energético que oscila entre as 1000 e as 3000 Kcal diárias. Na terceira idade, as necessidades energéticas diminuem, existindo necessidade de serem avaliadas individualmente, em função do estado fisiológico do idoso.
Bibliografia:
Haluch D. Estratégias Nutricionais Para Definição Muscular. Cutting/Pré-Contest. Curitiba, 2019. Disponível aqui.
Mahan L., Raymond J., Krause L. Alimentos Nutrição e Dietoterapia. 14. ed. Elsevier, 2018. Disponível aqui.
[/elencyprop]
false
[ 0, null, null, null ]
[ 10, 16, 24, null ]
[ 0, null, null, null ]
[ 0, null, null, null ]
[/elency_Row]
O que são nutrientes e qual a diferença entre nutrientes e calorias dos alimentos?
[elency_Row]
[ 6, null, null, null ]
false
[elencyprop]
Os nutrientes são compostos essenciais ao organismo. São todas as substâncias químicas que fazem parte dos alimentos e que são absorvidas pelo corpo, sendo indispensáveis para o seu funcionamento. São os produtos que obtemos depois da transformação dos alimentos no nosso organismo. O nosso corpo não os produz, pelo que têm que ser ingeridos. Após a sua ingestão, os alimentos são digeridos para que esses nutrientes sejam absorvidos (os nutrientes chegam ao intestino e, daí, passam para o sangue, agindo sobre o organismo). Todos eles desempenham funções essenciais ao crescimento e à vida, revelando-se fundamental a sua ingestão adequada.
Os nutriente dividem-se em Macro e Micronutrientes.
Macronutrientes
Os Macronutrientes são os únicos que contêm calorias, ou seja, são estes que nos dão a energia necessária para o organismo funcionar, logo são os que devem ser ingeridos em maior quantidade. As doses aqui recomendadas deverão ser ajustadas dependendo das necessidades energéticas individuais. Estão divididos em 3 grupos (hidratos de carbono, proteínas e gorduras):
Hidratos de Carbono
Estes são considerados macronutrientes rei. São a principal fonte de energia do organismo. Os hidratos de carbono, são armazenados em forma de glicogénio (combustível) no fígado e músculos. No fígado, estes mantêm os níveis de glicemia (açúcar) no sangue, fornecendo energia para as células. A nível muscular, atuam como “energia pronta” para as atividades físicas.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), devem contribuir com cerca de 55 a 75% do total de energia da dieta. Estes valores variam conforme a idade, género, nível de atividade física e composição corporal. Por exemplo, um indivíduo com um consumo alimentar diário com valor energético total de 1500 Kcal, com um nível de atividade mais sedentário, deverá ingerir 206g de hidratos de carbono (cerca de 825 Kcal), o que equivale a 55% do valor recomendado. Segundo o Colégio Americano de Medicina Desportiva são recomendados 6-10g/Kg de peso corporal para atletas. Por exemplo, um atleta que pese 70Kg deve consumir entre 420 a 600g de hidratos de carbono, o que se traduz em 1680-2400 calorias diárias de hidratos de carbono, sendo este valor variável de acordo com o tipo de atividade.
Dentro deste grupo temos um hidrato de carbono de extrema importância para a saúde – a Fibra.
Fibra
As fibras são consideradas um conjunto de substâncias que existem nos alimentos de origem vegetal e que não podem ser digeridas pelas enzimas no nosso sistema gastrointestinal, pelo que não são absorvidas.
Temos 2 tipos de fibras, as solúveis que são as responsáveis por aumentar o tempo de absorção dos nutrientes no intestino delgado e as fibras não solúveis que contribuem para a proteção da parede do intestino grosso. Em conjunto, as fibras reduzem a absorção de gorduras e açúcares das refeições, ajudam na formação do bolo fecal e, consequentemente, no funcionamento correto do trânsito intestinal, funcionando como um pré-biótico e aumentando a diversidade da flora intestinal. Além disso, ajudam na redução do colesterol, no controlo de glicemia e da pressão arterial. Aumentam ainda a sensação de saciedade, podendo ajudar na manutenção e na perda de peso.
A dose diária recomendada de fibra é de 38g para homens e 25g para as mulheres, não tendo sido estabelecido um limite máximo diário pela literatura.
Índice Glicémico (IG)
Os hidratos de carbono, sendo a principal fonte de energia do organismo, vão aumentar os níveis de açúcar no sangue. Este mecanismo é classificado através do ÍndiceGlicémico (IG).
Este índice é uma escala que classifica o quanto um hidrato de carbono aumenta os níveis de açúcar no sangue. Um alimento com um IG alto é rapidamente digerido e absorvido, causando um pico de insulina e uma menor sensação de saciedade enquanto que um alimento com um baixo IG tem uma digestão mais lenta, o que contribui para níveis de insulina mais estáveis e um aumento da sensação de saciedade. Os alimentos mais ricos em fibra têm um IG mais baixo. Os consumos de hidratos de carbono com IG mais baixos contribuem assim para a prevenção da diabetes e de doenças cardíacas, assim como para a manutenção de um peso saudável.
Por isso, os hidratos de carbono consumidos devem ser obtidos de fontes mais saudáveis, sendo nesses alimentos que devem gastar a maioria das calorias diárias recomendadas. Devem ser pouco processados, sem açúcares refinados (com baixo índice glicémico) e ricos em fibra. Devem fornecer ainda uma boa quantidade de vitaminas, minerais, antioxidantes e fitonutrientes. Existem várias fontes de hidratos de carbono sendo as mais saudáveis: os cereais integrais, vegetais, fruta, leguminosas, batata e batata doce (tubérculos).
Proteínas
As proteínas são consideradas o grande componente funcional e estrutural de todas as células humanas. São constituídas por aminoácidos essenciais que contribuem para a formação de tecidos, reparação, desenvolvimento e manutenção da massa muscular e são utilizadas na síntese de algumas hormonas.
Segundo a OMS devem contribuir com cerca de 15% do total de energia da dieta, sendo a dose diária recomendada, para a população em geral, de 0,8g/Kg de peso corporal. Por exemplo, alguém que pese 70Kg deve consumir aproximadamente 56g de proteína diária. Numa dieta de 1500Kcal equivale a cerca de 225 Kcal.
No entanto estes valores podem variar consoante o nível de atividade física da pessoa. Por exemplo, um atleta necessita de valores mais altos pois necessita de uma recuperação mais rápida, níveis elevados de massa muscular e, dependendo do tipo de atividade, a procura do desenvolvimento de massa muscular e força obriga ao aumento do consumo deste nutriente. Para atletas ou pessoas com atividade física intensa, que pratiquem exercícios físicos que envolvam treinos de força e resistência como por exemplo, musculação necessitam de valores mais elevados. Vários estudos sugerem que, nestes casos, o consumo de proteína se centre em valores entre 1,2 e 2,2g/Kg de peso corporal, sendo que acima de 2,2g/Kg não revelam benefícios no ganho de massa muscular. Esta diferença de amplitude vai variar do tipo de treino, de quantas vezes treinam por semana, do tipo de composição corporal e do tipo de objetivo que pretendem. Por isso é sempre importante analisar cada caso individualmente, calculando as necessidades energéticas diárias consoante o nível de atividade física diária e os objetivos pessoais em termos de composição corporal ou desempenho físico.
Existem diversas fontes de proteína, sendo umas mais saudáveis do que outras: temos as proteínas derivadas dos produtos animais e as derivadas dos produtos vegetais. As melhores fontes de proteína animal são as carnes brancas e magras (frango, peru, p.ex), o peixe, os ovos e lacticínios. No entanto, deverão ser priorizadas as fontes de proteínas vegetais. Produtos à base de soja, leguminosas, sementes e cereais integrais são alguns dos alimentos de origem vegetal que nos proporcionam boas quantidades de proteína. Estas fontes, sendo ricas em fibra, vitaminas, minerais, antioxidantes e fitonutrientes estão também associadas a uma redução no risco de doenças.
Gorduras
As gorduras são nutrientes essenciais. São uma fonte de energia e ajudam na absorção e transporte de alguns tipos de vitaminas, conferem proteção de órgãos vitais e ajudam na produção de hormonas.
É recomendada a ingestão entre 15 e 30% de gordura. Pessoas saudáveis e atletas podem ingerir 20 a 30% de gordura no total das suas calorias diárias. Pessoas sedentárias ou com problemas cardíacos deverão reduzir o seu consumo para valores que rondam os 10%. Num consumo alimentar diário com valor energético total de 1500Kcal, de uma pessoa saudável, deve ser incluído, no máximo cerca de 450Kcal de gordura (cerca de 50g).
Contudo, nem todas as gorduras são saudáveis e essenciais. As gorduras essenciais e benéficas que devemos ingerir nas doses recomendadas são as chamadas de polinsaturadas e monoinsaturadas (“gorduras boas”). As gorduras trans saturadas e saturadas (“gorduras más”) não são essenciais ao organismo, devendo ser reduzido ou mesmo eliminado o seu consumo, pelo risco de aumento de doenças cardiovasculares.
As gorduras polinsaturadas, nomeadamente ómega-3 e ómega-6 são gorduras essenciais ao nosso organismo e têm que ser ingeridas através dos alimentos para as conseguirmos obter. São compostos por vários ácidos gordos, sendo os essenciais o ácido linoleico (LA) presente no ómega-6 e o ácido alfa-linolénico (ALA) presente no ómega-3. A OMS recomenda o consumo de 5-8% das calorias diárias de ómega-6 e 1-2% de ómega-3.
As gorduras monoinsaturadas, compostas principalmente pelo ómega-9 e ómega-7, são sintetizadas pelo corpo, não sendo essenciais serem consumidas, no entanto, o seu consumo está associado a vários benefícios quando estas são substituídas pelas gorduras saturadas.
Por isso, uma boa fonte de gordura é o facto de ela ser monoinsaturada ou polinsaturada e não trans saturada ou saturada.
Devemos ainda ter em atenção a densidade calórica das gorduras ingeridas e optar pelas que contêm mais nutrientes. As gorduras ricas em ómega-6 e ómega-3, devem ser priorizadas em detrimento das outras. Produtos como frutos secos, sementes de linhaça e chia, alguns vegetais, lacticínios de origem vegetal e azeite extra-virgem são bons exemplos de fontes de gordura boa que devem ser incluídos numa dieta diária.
Todos os alimentos ingeridos não são fontes exclusivas de um macronutriente. A maioria dos alimentos é composta por hidratos de carbono, proteína, gordura e alguns micronutrientes. Simplesmente existem uns mais ricos num macronutriente do que noutros. Algumas fontes de hidratos de carbono também podem ser fontes de proteína e de gordura, por exemplo. É com base nos macronutrientes que se faz o cálculo do valor calórico de uma dieta.
Micronutrientes
Os micronutrientes são responsáveis por manter a saúde do corpo sendo fundamentais para a manutenção e bom funcionamento das funções metabólicas, ajudando na prevenção de doenças. Estes micronutrientes são necessários em menores quantidades, sendo contabilizados em miligramas e microgramas. São eles: as vitaminas e os minerais.
Os micronutrientes não fornecem energia, mas são absolutamente essenciais para a utilização e aproveitamento de todos os outros e, desta forma, garantirem o correto funcionamento do organismo.
As Vitaminas são moléculas orgânicas essenciais e podem ser divididas em vitaminas solúveis em água (a maioria das vitaminas – Vitamina do grupo B, e a vitamina C) e vitaminas solúveis em gordura (são mais facilmente absorvidas quando consumidas com fontes de gordura – Vitamina A, D, E e K).
Os Minerais são elementos químicos exógenos essenciais para os seres humanos. Pela ordem da quantidade recomendada são: potássio, cloro, sódio, cálcio, fósforo, magnésio, ferro, zinco, manganês, cobre, iodo, cromo, molibdênio, selênio e cobalto (o último é um componente da vitamina B12).
Além dos Macro e Micronutrientes, temos ainda substâncias como os antioxidantes e os fitonutrientes. Não se enquadram nos grupos anteriores, no entanto desempenham papeis muito importantes no nosso organismo não devendo ser negligenciados.
Alimentos como as verduras, legumes, leguminosas, frutas e cereais são ricos em micronutientes e antioxidantes e devem fazer parte diária de uma alimentação equilibrada.
Calorias
As calorias são um tipo de medida utilizado para mensurar o quanto de energia o alimento fornece ao organismo. Essa medida é definida em quilocalorias (Kcal). Dessa maneira, quanto maior o valor calórico de um ingrediente mais energia ele fornece. A vida do ser humano depende das calorias contidas nos alimentos. Estas são ingeridas pelo organismo, metabolizadas e produzem a energia química que necessitamos para nossa sobrevivência.
As calorias estão presentes nos macronutrientes (hidratos de carbono, proteínas e gorduras), e são sempre as mesmas calorias por grama independentemente da fonte.
Os hidratos de carbono contêm 4 Kcal por grama; as gorduras contêm 9Kcal por grama; as proteínas contêm 4Kcal por grama e o álcool (também considerado um macronutriente) contém 7Kcal por grama. Ao termos noção destes valores percebemos que existem macronutrientes com mais calorias por grama do que outro. Isto leva-nos ao conceito de densidade calórica dos alimentos. Esta densidade pode ser definida como a quantidade de calorias em relação a um volume de um alimento.
Os alimentos ricos em gordura têm mais calorias do que os ricos em hidratos de carbono e proteína, por exemplo uma colher de sopa de azeite (10g) contém cerca de 100Kcal enquanto que para consumirem 100 Kcal de brócolos precisam de consumir cerca de 300gr.
Além da densidade calórica, os alimentos também apresentam uma densidade de nutrientes. A densidade de nutrientes de um determinado produto é a quantidade de micronutrientes, antioxidantes e fitonutrientes por caloria de um dado alimento. Por exemplo, perante o exemplo anterior, estando perante a mesma densidade calórica, os brócolos apresentam uma maior densidade de nutrientes do que o azeite. Alimentos mais saudáveis, com poucas calorias conseguem dar-nos todos os nutrientes que precisamos.
Estes conceitos são importantes porque nos ajuda a escolher melhor os alimentos e a quantidade que devemos ingerir de cada um deles.
O conhecimento acerca dos alimentos que ingerimos e a sua composição nutricional é fundamental para conseguirmos adquirir uma alimentação o mais variada e saudável possível. Algo tão simples como saber aquilo que comemos pode prevenir muitas doenças, diminuir a mortalidade e aumentar o número de anos de vida com qualidade.
Bibliografia
American College of Sports Medicine. ACSM Information On… Protein Intake for Optimal Muscle Maintenance. ACSM. 2015. Disponível aqui.
Associação Portuguesa de Nutrição. Nutrition Fact Sheet – Hidratos de Carbono e Saúde. APN. 2018. Disponível aqui.
Astrup A, Bertram H, Bonjour J, et al. WHO draft guidelines on dietary saturated and trans fatty acid: time for a new approach? BMJ. Jul 3;366:I4137. 2019. Disponível aqui.
Carneiro A, Dhillon J, Gordon S, et al. The macronutrientes, apetite and energy intake. Annual Revi of Nutrition. Vol. 36:73-103. 2016. Disponível aqui.
Direção Geral da Saúde. Guia para o Aconselhamento Breve – 10 passos para a promoção da alimentação saudável. DGS. Lisboa. 2020. Disponível aqui.
Direção Geral da Saúde. Guia para o Aconselhamento Breve – 10 passos para a promoção da alimentação saudável. DGS. Lisboa. 2020. Disponível aqui.
Debski K, Stepkowski D, Studnicki M. Proportions of macronutrients, including specific dietary fats, in prospective anti-Alzheimer’s diet. Scientific Reports 9, article number 20143. 2019. Disponível aqui.
Gilman J, Ilich J, Kelly O. Utilizing dietary nutrient ratios in nutritional research: expanding the concept of nutrient ratios to macronutrients. Nutrients. Vol 11, Issue 2. 2016 Disponível aqui.
Graça P, Gregório M, Monteiro R, et al. Aconselhamento breve para a alimentação saudável nos cuidados de saúde primários: Modelo de intervenção e ferramentas 2020. Direção Geral da Saúde. Lisboa. 2020. Disponível aqui.
J.R.Lupton, J.B.Blumberg, M. L’Abbe, et al. Nutrient reference value: non-communicable disease endpoints – a conference report. European Journal of Nutrition 55, 1-10. 2016. Disponível aqui.
World Health Organization. Healthy diet. WHO. 2020. Disponível aqui.
[/elencyprop]
false
[ 0, null, null, null ]
[ 10, 16, 24, null ]
[ 0, null, null, null ]
[ 0, null, null, null ]
[/elency_Row]
Alimentação mediterrânica e a roda dos alimentos
[elency_Row]
[ 6, null, null, null ]
false
[elencyprop]
O conceito de dieta mediterrânica teve início nas décadas de cinquenta e sessenta do século XX, tendo origem em estudos realizados sobre os hábitos alimentares das populações do Sul da Itália e da Grécia. Ancel Keys, fisiologista americano, estudou a relação entre a alimentação e as doenças cardiovasculares, em particular, o impacto da alimentação praticada pelas populações do mediterrâneo na sua saúde, comparando-a com os consumos alimentares dos habitantes de outras áreas geográficas. A partir daí, este padrão alimentar passou a ser um alvo de interesse da comunidade científica, que chegou à conclusão de que este tipo de alimentação é completa e adequada do ponto de vista nutricional. Está associada a um risco reduzido de ingestão deficiente de micronutrientes e a um maior grau de proteção contra a mortalidade por todas as causas, em particular as neoplasias malignas, diabetes mellitus tipo 2, obesidade, doenças cardiovasculares e neuro degenerativas.
A UNESCO definiu a Dieta Mediterrânica, em Portugal, como “património cultural e material da humanidade em 2013, reconhecendo a presença do património alimentar mediterrânico em Portugal como modelo cultural, histórico e de saúde, reforçando ainda a importância da preservação e transmissão desta herança cultural para o futuro”.
Princípios da Alimentação Mediterrânica
A alimentação mediterrânica promove um padrão de ingestão alimentar baseado na diversidade e nos produtos frescos locais e da época. Prioriza uma cozinha simples que tem na sua base cozinhados que protegem os nutrientes como: as sopas, os cozidos, os ensopados e as caldeiradas.
É essencialmente caracterizada por:
Predomínio dos produtos vegetais (como a fruta, produtos hortícolas, cereais pouco refinados, frutos secos, oleaginosos e leguminosas (feijão, grão e ervilha)), em detrimento dos produtos animais;
Utilização do azeite como gordura principal;
Consumo de peixe e laticínios em quantidades moderadas;
Consumo preferencial de carnes brancas (frango, peru e coelho) e ovos;
Baixo consumo de carnes vermelhas (bovino, suíno, caprino, ovino, equídeo, búfalo) e produtos de charcutaria;
Redução do consumo de açúcar e produtos açucarados;
Utilização de especiarias e ervas aromáticas para temperar a comida, em detrimento do sal.
A água é a bebida de eleição, devendo acompanhar todas as refeições permitindo ocasionalmente o consumo baixo a moderado de vinho (apenas nas principais refeições).
A Roda dos Alimentos – Um guia para a escolha alimentar
De forma a facilitar a escolha dos alimentos certos nas quantidades adequadas neste tipo de padrão alimentar foi criado um guia – A Roda dos Alimentos.
A roda dos alimentos é um guia simplificado, em forma de representação gráfica, que ajuda a entender quais são os alimentos que devem ser ingeridos em maior ou menor quantidade, tendo em conta as necessidades nutricionais do nosso organismo. Ajuda ainda a escolher e a combinar os alimentos que devem fazer parte da alimentação diária. A roda encontra-se dividida em diferentes grupos alimentares, num símbolo em forma de círculo, com divisões em segmentos de diferentes tamanhos, que lembram um prato redondo e que mostra o número de porções que devemos ingerir de cada grupo, para termos uma alimentação equilibrada.
O círculo não hierarquiza os alimentos, mas atribui-lhes igual importância pois devem ser incluídos na alimentação porções de todos os grupos de alimentos, diariamente.
O número de porções vai depender das necessidades energéticas de cada indivíduo.
A nova Roda dos Alimentos é composta por 7 grupos de diferentes dimensões. Estes indicam qual a proporção (de peso) de alimentos que deve estar presente na alimentação diária:
Fonte: Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável, DGS (2020)
A água, não possui um grupo próprio, mas como faz parte da constituição de quase todos os alimentos, acaba por estar representada em todos os grupos, encontrando-se no centro da roda. No entanto, é fundamental beber em abundância durante o dia. As necessidades de água podem variar entre 1,5 e 3 litros por dia.
Cada um dos 7 grupos representados na roda apresenta funções e características nutricionais especificas, pelo que todos eles devem estar presentes na alimentação diária, não devendo ser substituídos entre si. Contudo, dentro de cada grupo existe um conjunto de alimentos nutricionalmente semelhantes, podendo e devendo ser regularmente substituídos uns pelos outros de modo a assegurar variedade na alimentação.
Cereais e Derivados, tubérculos – 28%
4 a 11 porções/dia
1 pão (50g);
1 fatia fina de broa (70g);
1 e 1/2 batata – tamanho médio (125g);
5 colheres de sopa de cereais ao pequeno-almoço;
6 bolachas – tipo maria / água e sal;
2 colheres de sopa de arroz / massa crus (35g);
4 colheres de sopa de arroz / massa cozinhada (110g).
Hortícola – 23%
3 a 5 porções/dia
2 chávenas almoçadeiras de hortícolas crus (180g);
1 chávena almoçadeira de hortícolas cozinhados (140g).
Fruta – 20%
3 a 5 porções/dia
1 peça de fruta – tamanho médio (160gr).
Lacticínios – 18%
2 a 3 porções/dia
1 chávena almoçadeira de leite (250ml);
1 iogurte líquido ou 1 e 1/2 iogurte sólido (200g);
2 fatias finas de queijo (40g);
1/4 de queijo fresco – tamanho médio (50g);
1/2 requeijão – tamanho médio (100g).
Carne, pescado e ovos – 5%
1,5 a 4,5 porções/dia
carnes / pescado cru (30g);
carnes / pescado cozinhado (25g);
1 ovo – tamanho médio (55g).
Leguminosas – 4%
1 a 2 porções/dia
1 colher de sopa de leguminosas secas cruas (ex: grão de bico, feijão, lentilhas) (25g);
3 colheres de sopa de leguminosas frescas cruas (ex: ervilhas, favas) (80g);
3 colheres de sopa de leguminosas secas / frescas cozinhadas (80g).
Gorduras e óleos – 2%
1 a 3 porções/dia
1 colher de sopa de azeite / óleo (10g);
1 colher de chá de banha (10g);
4 colheres de sopa de nata (30ml);
1 colher de sobremesa de manteiga / margarina (15g).
Este padrão alimentar, em conjunto com a prática de exercício físico regular é, provavelmente, uma das melhores formas conhecida de ter mais anos com saúde mantendo o prazer de comer e o convívio à mesa.
Aceda aos documentos originais da Direção Geral da Saúde que se encontram na bibliografia e aprenda mais acerca da roda dos alimentos e da dieta mediterrânica.
Bibliografia
Campos M, Sousa R. Nutrição e Deficiências. Direção Geral da Saúde. Lisboa. 2015. Disponível aqui.
Franchini B, Pinho I, Rodrigues S. Guia Alimentar Mediterrânico: relatório justificativo do seu desenvolvimento. Direção Geral da Saúde. Lisboa. 2016. Disponível aqui.
Franchini B, Pinho I, Rodrigues S, et al. Padrão Alimentar Mediterrânico: Promotor de Saúde. Direção Geral da Saúde. Lisboa. 2016. Disponível aqui.
Gregório M, Sousa S, Teixeira D, et al. Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável 2020. Direção Geral da Saúde. Lisboa. 2020. Disponível aqui.
Promoção da Alimentação Saudável. Roda dos Alimentos. Disponível aqui.
[/elencyprop]
false
[ 0, null, null, null ]
[ 10, 16, 24, null ]
[ 0, null, null, null ]
[ 0, null, null, null ]
[/elency_Row]
Ciclo menstrual e fisiologia da reprodução
[elency_Row]
[ 6, null, null, null ]
false
[elencyprop]
Para quem pensa em engravidar, compreender o ciclo menstrual é um dos primeiros passos para aumentar as probabilidades de conseguir conceber um bebé. Para muitas pessoas o ciclo menstrual é igual a menstruação. Na verdade, a menstruação é apenas a primeira fase do ciclo menstrual.
O ciclo menstrual é o termo usado para definir as alterações fisiológicas e cíclicas que ocorrem nas mulheres e que têm como finalidade a reprodução sexual e a fecundação.
Este ciclo começa com o primeiro dia da menstruação e acaba com o início da próxima, tendo em média, a duração de cerca de 28 dias, sendo que um ciclo normal pode ir de 21 a 35 dias. Os ciclos podem não ser iguais todos os meses e ser variáveis de mulher para mulher.
O ciclo menstrual é regulado pelo sistema endócrino que é formado por um conjunto de glândulas, entre elas a hipófise (glândula “mestra” que se encontra no cérebro) e as gónadas (ovários e testículos). A hipófise que é controlada pelo hipotálamo (região do cérebro) é a grande responsável por regular todas as outras glândulas, inclusive as gónadas e estas produzem as hormonas (substâncias químicas) que controlam todo o processo fisiológico do ciclo menstrual.
O cérebro (hipotálamo) controla o sistema endócrino fornecendo informações sobre o meio exterior levando a que as glândulas endócrinas reajam a essa informação produzindo as diferentes hormonas de forma a regular as funções do organismo. É a coordenação entre o cérebro, a hipófise e as gónadas femininas (ovários) que permitem que o ciclo menstrual aconteça.
Esse processo tem como objetivo final permitir que aconteça a produção e libertação do óvulo para a fecundação e a preparação do útero para receber um embrião e possibilitar que exista uma gravidez.
Fases do Ciclo Menstrual
Durante o ciclo menstrual temos dois ciclos a acontecer simultaneamente que são o ciclo ovariano e o ciclo uterino.
Ciclo Ovariano
Durante o ciclo ovariano existe a produção e libertação do gâmeta (célula sexual) feminino – o óvulo. Este ciclo é dividido em 3 fases: Fase folicular, ovulação e faselútea.
Fase Folicular
A fase folicular tem início no primeiro dia da menstruação e termina com a libertação do óvulo – a ovulação. O hipotálamo, no cérebro, envia sinais à hipófise através da hormona gonadotrofina hipofisária (GNRH) estimulando-a. A hipófise vai assim produzir as hormona folículo-estimulante (FSH) e luteinizante (LH). Estas hormonas informam os ovários que está na hora de prepararem um óvulo para ser libertado.
Os ovários contêm diversos folículos (sacos cheios de fluídos que contêm os óvulos) em diferentes fases de desenvolvimento. A FSH, auxiliada pela LH vai estimular o crescimento dos folículos ovarianos até ao ponto em que um deles se torna maior que os outros. Esse folículo, que contém o óvulo que estará preparado a fecundar, torna-se dominante e à medida que vai crescendo vai produzir outra hormona – o estrogénio, mais especificamente o Estradiol. O estradiol estimula o crescimento e o espessamento do endométrio (revestimento do útero) e atinge um pico mesmo antes de acontecer a libertação do óvulo, fazendo ocorra também um aumento nos níveis de FSH e de um aumento em pico dos níveis de LH. Esse processo desencadeia a ovulação.
Imediatamente antes da ovulação o folículo deixa de produzir estradiol e os seus níveis caem.
A fase folicular pode durar entre 10 a 22 dias, podendo variar de pessoa para pessoa e de ciclo para ciclo.
Ovulação
A fase Ovulatória ou a Ovulação ocorre mais ou menos na metade do ciclo e divide as duas fases do ciclo do ovário (fase folicular e fase lútea).
Durante a ovulação é libertado um óvulo maduro pelo folículo dominante. O folículo dominante à medida que vai crescendo vai produzindo mais estrogénio. Quando atinge um tamanho de mais ou menos 2cm (podendo chegar aos 3cm) e os níveis de estrogénio estão altos o suficiente, é enviado um sinal ao hipotálamo, o que causa um aumento dramático do LH. Esse pico vai induzir a ovulação. Esta acontece geralmente 13 a 15 dias antes do início da próxima menstruação. O óvulo é então libertado para as trompas de Falópio.
Fase Lútea
A fase lútea (segunda metade do ciclo) é a fase desde a ovulação até ao início da próxima menstruação.
Logo após a ovulação, o folículo que continha o óvulo libertado transforma-se numa nova estrutura produtora de hormonas – o corpo lúteo. A principal função desta estrutura é produzir outra hormona muito importante na reprodução – a progesterona, além do estradiol.
A progesterona é responsável pela preparação do endométrio para a possível implantação de um óvulo fertilizado e é a responsável por sustentar a gravidez inicial. É ainda a responsável pelo desenvolvimento das glândulas mamárias e diminuição das contrações uterinas durante a gravidez. Por isso, se um óvulo é fecundado, a progesterona produzida pelo corpo lúteo dá suporte a uma gravidez inicial.
A libertação destas hormonas desencadeia ainda a redução da produção de LH e FSH, o que evita a maturação de um novo folículo enquanto uma possível gravidez estiver em andamento. Caso o óvulo não seja fertilizado nem implantado no útero, cerca de 9 a 11 dias após a ovulação, o corpo lúteo começa a desaparecer e deixa de produzir progesterona e estradiol. A queda nos níveis destas hormonas desencadeiam o início da menstruação e estimulam novamente a hipófise para produzir FSH em quantidades suficientes para estimular o crescimento de um novo folículo, iniciando um novo ciclo ovariano.
A fase lútea dura tipicamente 14 dias, podendo durar entre 11 a 16 dias.
As mudanças hormonais que acontecem na fase lútea são associadas com os sintomas pré-menstruais comuns que muitas pessoas apresentam como: mudanças de humor, dores de cabeça, acne, inchaço, e sensibilidade nos seios.
Ciclo Uterino
Durante o ciclo uterino existe a preparação do endométrio para receber o futuro óvulo fecundado. Este ciclo ocorre em simultâneo com o ciclo ovárico e é dividido em 3 fases: a menstruação, a fase proliferativa e a fase secretora.
Menstruação
A menstruação é a primeira fase do ciclo. Tem início no primeiro dia do sangramento e termina quando já não há hemorragia.
A queda das hormonas progesterona e estrogénio causa a contração da parede uterina o que desencadeia a sua desintegração. O sangue que é eliminado durante a menstruação são restos do endométrio (tecido do útero). Este sangue é eliminado através do colo do útero (entrada do útero) e da vagina.
Durante a menstruação, com a descamação do tecido uterino, o endométrio torna-se mais fino.
Uma menstruação normal pode durar até 8 dias durando em média 5 ou 6.
Fase Proliferativa
Após a menstruação temos a fase proliferativa. Nesta fase, enquanto os ovários estão a trabalhar para desenvolver os folículos, o útero, em resposta ao estrogénio, vai-se reconstruindo produzindo novo tecido endometrial tornando-se mais espesso. Por isso se chama de fase proliferativa, porque o endométrio (tecido do útero) torna-se mais espesso para se preparar para receber um óvulo potencialmente fecundado.
Esta fase tem início no final da menstruação e mantém-se até à ovulação.
Fase Secretora
Após a ovulação inicia-se a fase secretora do ciclo uterino. Esta fase que tem início logo após a ovulação termina com a próxima menstruação.
Logo após a ovulação, o corpo-lúteo vai iniciar a secreção de progesterona e estradiol que vai estimular o crescimento e espessamento do endométrio. Caso tenha acontecido uma fecundação, o corpo-lúteo mantém-se a trabalhar mantendo o endométrio preparado para receber o embrião. Caso não exista fecundação, o corpo-lúteo começa a degenerar-se diminuindo a produção de progesterona e estrogénio. Ao mesmo tempo o endométrio inicia a secreção de substâncias químicas – as prostaglandinas, que vão fazer com que o útero se contraia. As cólicas menstruais são causadas pelos efeitos das prostaglandinas que induzem a contração da parede uterina. Caso ocorra uma gravidez, a produção destas substâncias é inibida.
A queda das hormonas progesterona e estrogénio em conjunto com a ação das prostaglandinas fazem com que se inicie a descamação do endométrio e dá-se início à menstruação e a um novo ciclo.
Bibliografia
Associação para o Planeamento da Família. Anatomia sexual e sistema reprodutor. Disponível aqui.
Ray L. O ciclo menstrual. Muito além da menstruação. Helloclue. 2021. Disponível aqui.
The American College of Obstetrician and Gynecologist. Womens-health. Disponível aqui.
[/elencyprop]
false
[ 0, null, null, null ]
[ 10, 16, 24, null ]
[ 0, null, null, null ]
[ 0, null, null, null ]
[/elency_Row]
Período fértil e ovulação. Quais os sintomas e como calcular?
[elency_Row]
[ 6, null, null, null ]
false
[elencyprop]
Para quem deseja engravidar, conhecer o período fértil é uma ferramenta útil. Conhecer o ciclo menstrual e as mudanças que acontecem no corpo da mulher durante o ciclo é muito importante, não só para quem planeia engravidar, mas para aprender mais sobre si próprio e como funciona o seu organismo, percebendo desta forma se existe ou não algum problema de saúde relacionado com o aparelho endócrino e/ou reprodutor.
O que é o Período Fértil?
É chamado de período fértil o intervalo de tempo, no ciclo menstrual, em que as mulheres em idade reprodutiva, têm maior probabilidade de engravidar. Este intervalo de tempo pode variar de mulher para mulher e de ciclo para ciclo.
Cerca de cinco a sete dias após o primeiro dia da menstruação, um dos vários folículos que existem nos ovários vai amadurecer e tornar-se dominante produzindo o óvulo que vai ser libertado durante a ovulação. Na ovulação o óvulo é libertado e vai seguir na direção das trompas de Falópio até chegar ao útero, numa viagem que dura cerca de 24 a 36 horas. Tendo em conta que o óvulo só tem a semivida de 24 a 36 horas é nesse percurso que pode acontecer a fecundação ((quando o espermatozoide (gâmeta masculino) se funde com o óvulo (gâmeta feminino)).
Contudo, os espermatozoides podem permanecer vivos no útero e trompas de Falópio por cerca de 48 a 72 horas, após a relação sexual desprotegida. Isso significa que o óvulo pode ser fecundado sem que haja relações sexuais no dia da ovulação. Assim sendo, a mulher poderá engravidar se tiver uma relação 48 a 72 horas antes da ovulação e até 36 horas depois, considerando então, o período fértil desde 3 dias antes até 3 dias depois da data provável da ovulação. Este é o seu período fértil ou também chamada de janela de fertilidade.
É difícil determinar exatamente o dia fértil, pois embora se saiba que a ovulação ocorre cerca de 13 a 15 dias antes da próxima menstruação, os ciclos podem variar entre 21 e até 35 dias.
Como calcular o Período Fértil?
Um dos métodos de deteção do período fértil é através do calendário. Durante pelo menos 6 meses, deve-se marcar num calendário o primeiro dia de cada menstruação. Esse dia marca o início de um novo ciclo. O ciclo termina no dia anterior ao primeiro dia da menstruação. Desta forma é possível calcular quantos dias dura cada ciclo.
O dia provável da ovulação calcula-se subtraindo 14 dias à duração do ciclo menstrual. Assim, se uma mulher tiver ciclos de 28 dias (contados desde o 1.º dia da menstruação até ao início da menstruação seguinte), a data provável da ovulação será: 28-14=14. Significa que deverá ovular ao 14.º dia do ciclo (14 dias a contar do 1.º dia da menstruação), sendo o seu período fértil entre o 11.º e o 17.º dia do ciclo (3 dias antes até 3 dias depois da data provável da ovulação).
Existem muitas aplicações online que conseguem calcular de forma automática, através do calendário e do registo dos dias de menstruação das mulheres, essa janela de fertilidade. No entanto, e tal como revelam alguns estudos realizados recentemente o cálculo do período fértil não é assim tão linear.
Um estudo publicado em 2019, realizado com dados de 600.000 ciclos menstruais de 124.648 mulheres da Suécia, EUA e Reino Unido mostrou os ciclos menstruais variam consideravelmente, sendo que apenas 13% das mulheres tiveram ciclos que duraram 28 dias. Estes dados foram retirados de uma aplicação de registo de ciclos menstruais e analisaram as características do ciclo menstrual e associações com a idade, IMC e temperatura corporal. Os resultados mostraram que a duração média do ciclo é de 29,3 dias. 65% das mulheres tiveram ciclos que duraram entre 25 e 30 dias, sendo que apenas 13% tiveram a duração de 28 dias.
Os Investigadores descobriram que existem diferenças na duração da fase folicular (pré-ovulação) e da fase lútea (pós-ovulação) sendo que a média da duração da fase folicular foi de 16,9 dias e a duração média da fase lútea foi de 12,4 dias. A duração média do ciclo diminuiu 0,18 dias e a duração média da fase folicular diminuiu 0,19 dias por ano de idade de 25 a 45 anos, o que demonstra que a duração do ciclo diminui com a idade. A variação média da duração do ciclo para mulheres obesas foi de 0,4 dias ou 14% maior, revelando que as mulheres com um IMC mais elevado relatam uma maior irregularidade dos ciclos menstruais. A variabilidade da duração do ciclo foi observada em menor grau em mulheres não obesas e com baixo peso.
Este estudo veio demonstrar que poucas mulheres têm um ciclo menstrual de “livro” de 28 dias, sendo que algumas apresentam ciclos muito curtos ou muito longos. Desta forma foi também demonstrado que a ovulação não ocorre de forma consistente no dia 14, dadas as variações na duração da fase folicular e fase lútea, portanto, é importante para quem planeia engravidar ter relações sexuais durante os seus dias férteis, não se focando só no dia da ovulação.
Percebemos desta forma que o método do calendário não é completamente eficaz, principalmente quando a mulher apresenta ciclos irregulares por isso é importante prestar atenção a outros sinais e sintomas que a mulher apresenta durante o seu ciclo menstrual e que poderá levantar suspeita de que está na sua janela de fertilidade.
Quais são os sinais e sintomas característicos do período fértil e da ovulação?
Existem algumas mudanças no organismo da mulher, despoletadas pelas hormonas como o estrogénio e progesterona, que são características do período fértil. São elas:
O aumento da produção de muco transparente elástico: Na fase pré-ovulatória imediata e na ovulação, o corrimento vaginal torna-se translúcido, inodoro e muito elástico, tipo “clara de ovo”. Estas características facilitam a progressão dos espermatozoides até às trompas de Falópio. Muco transparente, porém, sem elasticidade, fino e quebradiço, indica que a mulher está próxima do seu período de máxima fertilidade. Muco branco, semelhante a creme hidratante, indica período não fértil;
Aumento da líbido: Fisiologicamente o organismo está pronto para fecundar. Por isso, é natural que a mulher tenha mais vontade de ter relações sexuais nesse período. Existe ainda um aumento da produção de feromonas, substâncias químicas que são exaladas pelo corpo com a finalidade de atrair e excitar o sexo oposto. A mulher fica mais sensível, com o olfato mais apurado;
Dor pélvica: O aumento do folículo e a libertação do óvulo pode provocar alguma irritação peritoneal que pode ser percebida pela mulher como uma dor pélvica, geralmente ligeira. Esta dor pode ser sentida do lado direito ou do lado esquerdo dependendo de qual ovário ovulou. Pontualmente quando a dor acontece no lado direito pode imitar uma dor semelhante à apendicite. Contudo, geralmente a dor é ligeira e dura de algumas horas até no máximo uma semana. Mais do que isso deve descartar-se outro tipo de complicação;
Pode existir uma pequena perda de sangue, devido às mudanças hormonais bruscas que acontecem nesta fase e um aumento do tamanho e da sensibilidade mamária;
Logo após a ovulação existe também um aumento de cerca de 0,5 °C na temperatura corporal basal, estimando-se que a ovulação em si ocorra no dia da última baixa temperatura antes do aumento. Isto deve-se ao aumento da produção de progesterona secretada pelo corpo-lúteo. Esta hormona tem um efeito termogénico o que causa um aumento da temperatura basal.
Estes sinais podem ser muito discretos por isso a mulher tem que os saber identificar, caso contrário passaram facilmente despercebidos.
Essas características podem ajudar a mulher a conhecer o próprio corpo e a preparar-se para uma possível gravidez. No entanto, essas características variam de mulher para mulher e de ciclo para ciclo. Até porque existem ciclos em que não existe ovulação (ciclos anovulatórios), o que é perfeitamente normal e os sinais podem nem surgir. Estas características não devem ser consideradas para quem quer evitar a gravidez.
Outras formas de controlo da ovulação
Existe ainda duas formas de detetar uma possível ovulação:
Testes de Ovulação: Estes testes garantem a identificação do dia da ovulação através da deteção da hormona LH que é responsável por desencadear a rotura do folículo que irá libertar o óvulo. O início da onda é aproximadamente 28-48 h antes da rutura do folículo e os níveis de pico de LH são atingidos 12 h antes da rutura do folículo. Níveis elevados de LH são detetáveis em amostras de sangue e urina, sendo que os testes vendidos no mercado são realizados através da urina;
Ecografia endovaginal: Este exame é mais usado em mulheres com dificuldade em engravidar e que poderão estar a usar indutores de ovulação. É um procedimento mais invasivo realizado por ginecologistas que, através da introdução de uma sonda de ecografia na vagina, conseguem visualizar os folículos ovarianos e conseguem detetar uma possível ovulação ou estabelecer uma data provável para a libertação do folículo.
Depois de todos estes dados e de não existirem certezas acerca da data certa da ovulação é essencial que a mulher esteja atenta ao seu corpo para tentar identificar sinais do período fértil e tenha relações sexuais frequentes durante esse período.
Mas mais importante ainda, deverá manter-se o mais saudável possível, mantendo uma alimentação equilibrada e a prática de atividade física. E depois disso tudo, descanse, relaxe e divirta-se durante as tentativas de ter um futuro bebé.
Bibliografia
Bull J, Rowland S, Scherwitzl E, et al. Real-world menstrual cycle characteristics of more than 600,000 menstrual cycles. npj Digital Medicine, 2019. Disponível aqui.
Encina L, Lora J. A janela da fertilidade e marcadores biológicos: revisão e análise em ciclos ovulatórios normais. Pers. Bioét. Vol. 15. Nº 2. 2011. ISSN 0123-3122. Disponível aqui.
Santos M. Método Billings para Controle da Ovulação – Uma Revisão da Literatura. Faculdade Araguaia Ciências Biológicas. Goiânia. 2017. Disponível aqui.
The American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG). Getting Pregnant. Disponível aqui.
[/elencyprop]
false
[ 0, null, null, null ]
[ 10, 16, 24, null ]
[ 0, null, null, null ]
[ 0, null, null, null ]
[/elency_Row]
Quero engravidar, o que devo fazer?
[elency_Row]
[ 6, null, null, null ]
false
[elencyprop]
A gravidez é sempre um momento marcante na vida de um casal. Uma gravidez planeada pelos futuros pais é muito importante, de forma a garantir que todo o processo seja envolto de tranquilidade e estabilidade, preparando-os para o impacto das mudanças físicas e para implicações psicológicas que o momento acarreta.
Ao pensar em engravidar é importante marcar uma consulta pré-natal, que pode ser agendada no centro de saúde ou num ginecologista. Esta consulta deverá ser realizada antes de interromper o contracetivo que está a ser utilizado e se possível, devem estar presentes ambos os futuros progenitores.
Nesta consulta, além de serem tiradas todas as dúvidas, é realizada uma avaliação do estado de saúde do casal, em especial da futura mãe e serão pedidos alguns exames laboratoriais. O profissional de saúde fará aconselhamentos e recomendações importantes que são fundamentais e poderão influenciar a saúde da futura criança.
Período preconceção
Para quem planeia engravidar é de extrema importância que cumpra com os cuidados pré-concecionais. O período preconceção é considerado o período que antecede a gravidez e deverá situar-se, no mínimo, entre os 3 a 6 meses. Por isso para quem pensa em ser mãe nunca é “muito cedo” para se começar a preparar para uma gravidez. Até porque para algumas mulheres, preparar o corpo para a gravidez pode demorar poucos meses, mas para outras pode demorar mais.
Os cuidados pré-concecionais permitem que sejam identificados e abordados aspetos comportamentais, médicos e sociais que podem representar um risco para a futura gravidez. Um dos principais objetivos destes cuidados é assegurar uma boa saúde da mulher antes da gravidez ou no período entre gravidezes. É o momento de fazer mudanças nos estilos de vida que podem aumentar a fertilidade, reduzir os problemas durante a gravidez, auxiliar na recuperação após o parto e mais importante – proteger a saúde do bebé.
Os cuidados de saúde preconceção são diferentes para cada pessoa dependendo das suas necessidades específicas. Os profissionais de saúde acompanharão cada caso individualmente orientando desta forma o melhor acompanhamento e/ou tratamento conforme o necessário. Contudo, é importante destacar que a saúde preconceção é importante para todas as mulheres e não apenas para as que planeiam engravidar. Significa assumir o controlo e escolher hábitos saudáveis. Significa viver bem, ser saudável e sentir-se bem com sua vida.
Mas afinal o que fazer no período preconceção?
A saúde do casal, em especial da mulher é muito importante e pode afetar a saúde do futuro bebé. Por isso existem determinados passos que devem fazer ao pensar numa gravidez:
1 – PLANEAMENTO
Devem planear quando querem começar a tentar engravidar de forma a terem tempo para se tornarem o mais saudáveis possível.
2 – AGENDAR UMA CONSULTA PRÉ-NATAL
Na consulta, o profissional de saúde vai querer discutir o histórico de saúde e quaisquer condições médicas que existam que possam afetar a gravidez e irá aconselhar o casal orientando-o nas questões mais importantes. Deverão ser pedidos exames e análises de rastreio, onde serão despistadas algumas situações pertinentes:
Citologia (papanicolau): realizado à mulher, para despistar qualquer patologia a nível do útero;
Análises sanguíneas: para terem uma perceção do estado geral de saúde e para algo mais específico como:
Saber o tipo sanguíneo da futura mãe e do futuro pai, para evitar complicações futuras causadas por incompatibilidades sanguíneas;
Despistar doenças infectocontagiosas como o VIH, hepatites ou outras;
Perceber qual a imunidade da futura mãe, a determinadas doenças como a toxoplasmose, rubéola ou varíola. A mulher pode ter necessidade de realizar alguma vacina extra e de ter cuidados suplementares para evitar contrair essas doenças que podem ser muito perigosas para o bebé.
Serão também realizadas questões acerca do histórico de saúde da família de ambos os futuros progenitores. Podem existir doenças hereditárias que são importantes despistar. Por isso é de extrema importância partilhar essas informações com os profissionais de saúde, de forma a terem o melhor aconselhamento genético possível.
Nessa consulta, deverão também ser prescritas vitaminas pré-natais: ácido fólico, iodo e outras que o médico ache necessário.
É importante esclarecer todas as dúvidas com o profissional de saúde, expondo qualquer problema de saúde que tenha ou qualquer medicamento que esteja a tomar, pois pode levar a complicações na gravidez ou problemas para o bebé.
3 – SUPLEMENTAÇÃO
A mulher deve iniciar a toma de 400 microgramas de Ácido Fólico e 150-200 microgramas de Iodo todos os dias. O ácido fólico e o iodo são vitaminas essenciais na gravidez e ajudam no desenvolvimento saudável do bebé. A mulher deverá começar a tomar esta vitamina preferencialmente 3 meses antes da gravidez e deverá continuar a tomar até ao final da gravidez.
4 – DEIXAR DE FUMAR, DE CONSUMIR ÁLCOOL E/OU OUTRAS DROGAS
Fumar, beber álcool e usar certas drogas podem causar muitos problemas durante a gravidez tanto para a mulher como para o seu bebé. Pode causar parto prematuro, malformações e morte fetal. Se está a tentar engravidar e não consegue parar de beber, fumar ou usar drogas, deve pedir ajuda, contactando o seu médico ou unidade de saúde.
5 – EVITAR SUBSTÂNCIAS TÓXICAS E CONTAMINANTES AMBIENTAIS
Deve ser evitado o contacto com químicos prejudiciais, contaminantes ambientais e outras substâncias (produtos químicos sintéticos, metais, fertilizantes, repelente de insetos e fezes de gatos ou roedores) em casa e no local de trabalho. Essas substâncias podem prejudicar o sistema reprodutivo de homens e mulheres, aumentando a dificuldade em engravidar. E a exposição a pequenas quantidades durante a gravidez, primeira infância, infância ou puberdade pode causar sérias doenças.
6 –ADQUIRIR E MANTER UM PESO SAUDÁVEL
Um estilo de vida que inclua alimentação saudável e atividade física regular, além de permitir obter um peso saudável ajudam a prevenir doenças graves. Pessoas com sobrepeso ou obesidade têm um risco aumentado de desenvolver doenças graves e complicações durante a gravidez (diabetes gestacional, prê-eclâmpsia, p.ex). Pessoas com baixo peso também correm risco de desenvolver problemas de saúde.
7 – OBTER AJUDA NO CASO DE SER VÍTIMA DE VIOLÊNCIA
A violência pode causar ferimentos e morte entre as mulheres em qualquer fase da vida, inclusive durante a gravidez. Se alguém é violento com você ou você é violento com seus entes queridos, peça ajuda. A violência destrói relacionamentos e famílias.
8 – MANTER A MENTE SAUDÁVEL
Saúde mental é a forma como pensamos, sentimos e agimos no nosso dia a dia. Como enfrentamos os nossos medos e dificuldades. É importante sentir-se de bem com a vida, aprender a valorizar-se e a estar no seu melhor. Todas as pessoas sentem momentos de preocupação, tristeza, ansiedade e stress. No entanto, se esses sentimentos não desaparecerem e interferirem no dia a dia, é importante procurar ajuda.
9 – TER UMA GRAVIDEZ SAUDÁVEL
Depois de engravidar é ainda mais importante manter os bons hábitos adquiridos e consultar o médico regularmente durante a gravidez nas consultas de vigilância.
10 – FUTURO PAI SAUDÁVEL
A saúde preconceção também é importante para os homens. Estes devem ter todos os cuidados enumerados anteriormente, adquirindo os mesmos hábitos de vida saudáveis do que a futura mãe. Comportamentos aditivos (fumar, beber álcool, uso de drogas), obesidade, exposição a substâncias perigosas, determinadas doenças e toma de medicamentos podem alterar a qualidade do esperma, podendo reduzir a saúde ou o número de espermatozoides tornando-o infértil. Daí a necessidade de também se cuidar.
Esta é uma fase muito importante na vida de um casal em que ambos se devem apoiar mutuamente pois ambos têm medos, inseguranças e dúvidas relativamente ao momento que vivem e ao futuro momento que se aproxima – a gravidez e o nascimento do bebé. A aquisição de comportamentos e hábitos de vida saudáveis revela-se essencial para conseguirem atingir o objetivo de engravidar e para manterem uma gravidez salubre e terem um bebé saudável.
Bibliografia
Centers for Disease Control and Prevention. Planning for Pregnancy. CDC. 2020. Disponível aqui.
National Health Service. Planning your Pregnancy. NHS. 2020. Disponível aqui.
Simon A. Cuidados Préconcecionais. Centro de Informação do Medicamento. 2014. Disponível aqui.
[/elencyprop]
false
[ 0, null, null, null ]
[ 10, 16, 24, null ]
[ 0, null, null, null ]
[ 0, null, null, null ]
[/elency_Row]
Quais os principais métodos contracetivos existentes no mercado?
[elency_Row]
[ 6, null, null, null ]
false
[elencyprop]
A decisão de ter ou não filhos, assim como a escolha do momento para o fazer é um direito que todos os indivíduos e famílias têm. Além disso, a prevenção de doenças sexualmente transmissíveis, assumem uma importância acrescida quando falamos em métodos contracetivos e nunca deverá ser esquecida. Desta forma é importante o aconselhamento, a informação e educação que é prestada pelas consultas de planeamento familiar e pelo seu médico e enfermeiro de família de forma a tomarem as melhores decisões de forma livre e responsável. No entanto serão aqui apresentados os métodos existentes no mercado e os seus riscos e benefícios, tendo em conta que os contracetivos hormonais carecem sempre de aconselhamento e prescrição médica.
Quais os métodos contracetivos existentes?
Pílula – Contraceção hormonal oral
A pilula, se tomada corretamente apresenta um elevado grau de eficácia (99%). Cada comprimido é composto por hormonas sintéticas semelhantes às produzidas pelos ovários – estrogénio e progesterona. Estas hormonas fazem com que os ovários fiquem em repouso inibindo as ovulações. Sem ovulação a mulher deixa de ter período fértil e não pode engravidar. É um método de contraceção reversível, o que significa que quando deixar de tomar a pílula deixará de ter a proteção contracetiva podendo engravidar.
Existem diferentes tipos de pílulas com diferentes dosagens e diferentes tipos de hormonas que se adaptam melhor a diferentes mulheres tendo em conta a sua idade e a sua história clínica. Apesar de apresentarem muitas vantagens apresentam efeitos secundários e contraindicações importantes pelo que é importante aconselhar-se com um profissional de saúde ao tomar a decisão de iniciar este método de contraceção.
A pílula não protege contra as doenças sexualmente transmissíveis.
Dispositivos Intrauterinos e Sistema Intrauterino (DIU e SIU)
São pequenos dispositivos, normalmente em forma de “T”, que são introduzidos na cavidade uterina, por um profissional de saúde. Podem ser hormonais – Sistema Intrauterino (SIU) ou não hormonais – Dispositivo Intrauterino (DIU):
O SIU contém uma hormona semelhante à progesterona (progestativo) produzida pelo ovário que é libertada diariamente no útero provocando o espessamento do muco cervical, impedindo a passagem dos espermatozoides e provoca alterações no endométrio impedindo a implantação do óvulo. Apesar da quantidade hormonal ser baixa, em alguns ciclos, poderá inibir a ovulação;
O DIU contém cobre numa quantidade muito reduzida, desencadeando uma resposta inflamatória que impede a entrada dos espermatozoides no útero e altera o endométrio impedindo a fixação do óvulo fertilizado.
Estes dispositivos são muito eficazes (99%) e reversíveis e é uma forma de contraceção de longa duração (5 a 7 anos), não reduzindo a fertilidade. Não interfere na relação sexual. A colocação e remoção é feita por um médico durante um exame ginecológico. É um processo simples e indolor.
Estes dispositivos não protegem contra as doenças sexualmente transmissíveis.
Implante
O implante é um pequeno bastonete flexível (4cm de comprimento e 2mm de diâmetro) que é introduzido no antebraço e retirado por um profissional especializado. É um método hormonal que apenas contém uma hormona semelhante à progesterona (progestativo) e não contém estrogénio. Esta hormona é libertada lentamente na corrente sanguínea inibindo a ovulação e tornando o muco cervical mais espesso impedindo a entrada de espermatozoides.
É um dispositivo eficaz (superior a 99%), de longa duração (3 anos) e reversível.
O implante não protege contra as doenças sexualmente transmissíveis.
Adesivo
O adesivo transdérmico (adesivo fino que é colado na pele), é um método hormonal de uso semanal e é constituído por hormonas (estrogénio e progestagénio) que são libertadas diariamente na corrente sanguínea através da pele. A forma de atuação é semelhante à pílula e implante. Estima-se que a sua eficácia se aproxime dos 99%. É um método reversível.
O adesivo não protege contra as doenças sexualmente transmissíveis.
Contraceção hormonal injetável
Este método consiste numa injeção intramuscular de uma solução constituída por um progestativo que é libertado no sangue atuando como a pilula e o implante. É administrado de 12 em 12 semanas, pelo que cada injeção tem efeito contracetivo durante 3 meses. É um método reversível, eficaz e seguro. O nível de eficácia é de 0,0 a 1,3 gravidezes por ano em cada 100 mulheres.
Este método não protege contra as doenças sexualmente transmissíveis.
Anel Vaginal
Consiste num anel de textura suave, transparente e flexível com cerca de 5 cm de diâmetro, que se insere na vagina uma vez por mês. É um contracetivo hormonal combinado (estrogénios e progestagénio) que vai libertando estas hormonas de forma regular, para a corrente sanguínea. É um método para mulheres que desejam uma contraceção hormonal combinada e não toleram ou não querem os contracetivos orais. Atua inibindo a ovulação. É um método eficaz (99%) e reversível.
O anel vaginal não protege contra as doenças sexualmente transmissíveis.
Diafragma
O diafragma é um dispositivo de borracha com um aro flexível que se introduz na vagina. Quando corretamente introduzido previne o contacto do esperma com o colo do útero, funcionando como meio eficaz de contraceção. É um método reversível, oferecendo um nível de eficácia relativamente alto: 15 gravidezes em cada 100 mulheres/ano.
O diafragma não protege contra as doenças sexualmente transmissíveis.
Espermicidas
Os espermicidas podem apresentar-se sob a forma de creme, gel, espuma, comprimidos vaginais, esponja, cone ou membrana e são compostos por substâncias que diminuem a capacidade de fecundação dos espermatozoides. São de fácil utilização e não necessitam de acompanhamento médico. Podem aumentar a lubrificação vaginal. A eficácia depende da sua correta utilização. São habitualmente conjugados com outro método contracetivo. Tem uma taxa previsível de 6% a 26% de falhas durante o 1.º ano de utilização.
Os espermicidas não protegem contra as doenças sexualmente transmissíveis.
Métodos Naturais
Estes métodos implicam que a mulher aprenda a identificar o período fértil, conhecendo as modificações fisiológicas que ocorrem ao longo do seu ciclo menstrual. Geralmente são necessários 3 a 6 ciclos para aprender a identificar o período fértil, sendo difíceis de utilizar quando os ciclos são irregulares. Estes métodos podem requerer um longo período de abstinência. Não protegem das doenças sexualmente transmissíveis.
Dentro dos métodos naturais temos:
Coito interrompido: No coito interrompido (não é propriamente um método contracetivo), o homem retira o pénis da vagina antes de ejacular. Este método é pouco eficaz porque pode existir uma saída de líquido seminal mesmo antes da ejaculação que contém espermatozóides.
Método do calendário: O método do calendário, limita as relações sexuais ao período não fértil, onde o risco de conceção é menor. Neste método tem de existir um conhecimento acerca do ciclo menstrual da mulher e do seu período fértil. São realizados cálculos do período fértil e ovulação, sendo utilizado um calendário como auxílio. Durante o período fértil deverá associar método de barreira ou praticar a abstinência.
Método da Temperatura basal: Tem como fundamento o aumento da temperatura basal (pelo menos 0,5ºC) após a ovulação. A relação sexual desprotegida é aconselhada após 3 dias da elevação da temperatura. A avaliação da temperatura poderá ser vaginal, oral ou retal (após 6 horas de sono). Pode induzir em erro, caso a mulher não avalie a temperatura basal de forma correta ou esta se encontre com a temperatura alterada devido a uma doença, por exemplo.
Método do muco cervical: Este método implica conhecer as características do muco cervical do período fértil em que antes e durante a ovulação é mais claro, abundante e elástico. Neste período a mulher não deverá ter relações sexuais desprotegidas.
Método Sintotérmico: A mulher identifica os dias férteis e inférteis, relacionando os métodos da temperatura basal e do muco cervical. O período fértil inicia-se logo que sejam avaliadas secreções vaginais típicas desse período, terminando no quarto dia após a capacidade máxima de elasticidade do muco cervical e depois de ultrapassado o 3.º dia de subida de temperatura basal.
Preservativos
Preservativo feminino (interno)
Este preservativo tem a forma de um tubo, feito à base de nitrilo e tem um anel em cada uma das extremidades. É colocado no interior da vagina e não deve ser utilizado em simultâneo com o preservativo do homem porque pode causar atrito aumentando o risco de rotura. Este dispositivo pode ser inserido na vagina até 8h da relação sexual. Depois da ejaculação, este preservativo retém o esperma, prevenindo a passagem dos espermatozoides para o útero evitando uma possível gravidez. Se usadocorretamente, é um método seguro. Estima-se que possam ocorrer 10 gravidezes por cada ano em 100 mulheres.
O preservativo feminino protege contra as Infeções Sexualmente Transmissíveis (IST).
Preservativo masculino (externo)
Este é um método contracetivo utilizado pelo homem. É fabricado em latex ou poliuretano ultrafino. Vem enrolado numa embalagem e deve ser colocado no pénis ereto antes do contacto genital. Este dispositivo atua como uma barreira impedindo que os espermatozoides entrem na vagina e cheguem ao óvulo impedindo assim uma gravidez. É de utilização única e é importante uma colocação correta de forma a garantir a eficácia prometida.
O preservativo pode e deve ser usado juntamente com outros métodos contracetivos porque além de aumentarem a eficácia do efeito contracetivo o preservativo é fundamental na prevenção das Infeções Sexualmente Transmissíveis (IST) como a infeção VIH, Hepatite B, Clamídia e a Gonorreia ou Blenorragia. Previne também as Infeções por HPV (Papiloma Vírus Humano), Sífilis e Herpes Genital, embora nestas doenças o contágio possa ocorrer também através do contacto direto com a pele infetada (virilhas, genitais externos).
A eficácia deste método depende da sua utilização correta e sistemática. Estima-se que possam ocorrer 5 a 10 gravidezes por ano em cada 100 mulheres.
Todos os métodos apresentados anteriormente são reversíveis, ou seja, a qualquer momento podemos deixar de usá-los e terminando tempo do efeito do contracetivo, a fertilidade é reposta e pode acontecer uma gravidez.
Só os métodos de barreira – preservativo masculino e feminino é que garantem proteção contra as DST’s, quando usados de maneira correta.
Métodos Cirúrgicos Definitivos
Estes métodos são realizados através de cirurgia e são formas de contraceção permanentes e definitivas. Devem ser escolhidas de apenas por quem está seguro de que não quer ter mais filhos.
Temos, no caso da mulher, a laqueação de trompas, onde existe o bloqueio ou corte das trompas de falópio impedindo a chegada do óvulo ao útero e a chegada dos espermatozoides às trompas.
No caso do homem, a chamada vasectomia, que consiste no bloqueio do canal deferente, o canal que liga os testículos ao pénis e por onde os espermatozoides atravessam. Este método não tem uma eficácia imediata, sendo necessárias cerca de 12 a 20 ejaculações até deixarem de existir espermatozoides no esperma.
Estes métodos não protegem contra as Doenças Sexualmente Transmissíveis
Contraceção de emergência
A contraceção hormonal de emergência é um meio de prevenir a gravidez após uma relação sexual não protegida. Esta contraceção não interrompe uma gravidez em curso e atua prevenindo a ovulação. Estes métodos são de venda livre podendo ser utilizados por todas as mulheres. Não provoca complicações nomeadamente dificuldade em engravidar no futuro. As barreiras morais ou legais não devem limitar o acesso à contraceção de emergência. Contudo este tipo de contraceção não deve, em caso nenhum substituir o uso de contraceção regular.
Apresentados todos os métodos contracetivos existentes é sempre importante realçar a importância de uma consulta médica e/ou de enfermagem para escolher qual o método mais adequado. Perceber quais são as vantagens, desvantagens, efeitos secundários e contraindicações é fundamental para um planeamento familiar eficaz e seguro.
Bibliografia
Associação para o Planeamento da Família. Métodos Contracetivos. Disponível aqui.
Sociedade Portuguesa da Contraceção (SPDC), Sociedade Portuguesa de Ginecologia (SPG), Sociedade Portuguesa de Medicina da Reprodução. Consenso sobre Contraceção 2020. Sociedade Portuguesa da Contraceção (SPDC). 2020. Disponível aqui.
[/elencyprop]
false
[ 0, null, null, null ]
[ 10, 16, 24, null ]
[ 0, null, null, null ]
[ 0, null, null, null ]
[/elency_Row]
Saiba o que são as dislipidemias e como as pode prevenir
[elency_Row]
[ 6, null, null, null ]
false
[elencyprop]
A dislipidemia é considerada um dos principais fatores de risco cardiovascular, sendo considerado como o principal para a doença coronária e um dos principais para os acidentes vasculares cerebrais.
O que é a dislipidemia?
Dislipidemia é o termo usado para designar todas as anomalias dos lípidos (gorduras) no sangue, sejam qualitativas e/ou quantitativas.
Os lípidos (gorduras) são um componente importante do organismo humano e permitem a normal função das células. São também uma fonte de energia. Existem essencialmente dois tipos de lípidos, o colesterol e os triglicerídeos.
O colesterol é uma substância natural, produzida pelo fígado e presente em todas as células do corpo. Tem origem endógena (através da síntese hepática) ou exógena (através de fonte alimentar). É fundamental para o organismo, em quantidades normais, sendo essencial para a constituição das membranas das células, participando no metabolismo da digestão das gorduras e na constituição das hormonas sexuais. Contudo, quando em excesso, conduz a problemas de saúde como a aterosclerose.
Existem dois tipos de colesterol:
Colesterol LDL (Low Density Lipoprotein), que é uma lipoproteína de baixa densidade. É considerado o mau colesterol, pois oxida e deposita-se nas artérias, endurecendo-as e obstruindo-as;
Colesterol HDL (High Density Lipoprotein), que é uma lipoproteína de alta densidade. É considerado o bom colesterol, sendo responsável pela remoção do colesterol LDL do sangue e das paredes das artérias.
Um desequilíbrio entre os níveis de HDL e LDL constituem um importante fator de risco cardiovascular.
Os triglicerídeos são componentes de grande parte das gorduras alimentares e quando em excesso no sangue, também aumentam o risco de doenças cardiovasculares.
Quais são os tipos de dislipidemias e quais os valores recomendados de colesterol e triglicerídeos?
As dislipidemias podem manifestar-se por:
Um aumento dos triglicerídeos (TG’s): Hipertrigliceridemia – Aumento dos triglicerídeos (TG) (TG ≥ 150 mg/dL);
Um aumento do colesterol: Hipercolesterolemia – Aumento do colesterol total (CT) (CT >190 mg/dL) e/ou do colesterol LDL (c-LDL) (c-LDL ≥ 115 mg/dL);
Uma combinação dos dois fatores anteriores: Dislipidemia mista – Combinação de dois fatores (CT elevado e/ou c-LDL e TG elevados);
Uma redução dos níveis de HDL (o chamado “bom” colesterol): Hipolipidemia – Diminuição do colesterol HDL (c-HDL) (homens < 40 mg/dL e mulheres < 45 mg/dL).
Sendo assim, os valores recomendados são:
Valores recomendados
Colesterol Total
‹ 190 mg/dl
Colesterol LDL
‹ 115 mg/dl
Colesterol HDL
› 40 mg/dl no homem › 45 mg/dl na mulher
Triglicerídeos
‹ 150 mg/dl
Dislipidemias – Valores Recomendados
A dislipidemia é o fator de risco clínico major no desenvolvimento de doenças cardiovasculares, uma vez que se encontra diretamente implicada na formação da aterosclerose. Na aterosclerose existe um aumento anormal, progressivo e excessivo de gordura no sangue, que se vai tornando sólida e acumulando nas paredes das artérias, formando placas (compostas de gordura) e tecido fibroso (ateromas) que vão impedir a passagem de sangue e desta forma bloquear a irrigação do coração, do cérebro ou a irrigação dos membros, por exemplo. Este bloqueio pode originar um evento cardiovascular agudo como um enfarte agudo do miocárdio, um acidente vascular cerebral ou trombose venosa profunda, dependendo das artérias afetadas.
Qualquer tipo de dislipidemia representa, desta forma, um importante fator de risco cardiovascular.
Podemos dizer que estamos perante dislipidemias primárias quando estas têm uma origem genética e hereditárias em conjunto com fatores ambientais e comportamentais. Ou seja, a pessoa já pode ter uma predisposição genética para desenvolver a doença e com a aquisição de comportamentos de risco e estilos de vida menos saudáveis vai aumentar a probabilidade de a desenvolver.
As dislipidemias secundárias, estão habitualmente associadas a outras doenças como por exemplo, a diabetes, obesidade, hipotiroidismo, doença renal crónica, síndrome nefrótica, doença das vias biliares e associado ao uso de determinados medicamentos (diuréticos tiazídicos em elevadas doses, glicocorticóides, ciclosporinas, pílulas contracetivas, estrogénios, entre outros). Continuam a ser associadas a estilos de vida desequilibrados.
As dislipidemias mais graves geralmente ocorrem em doentes com predisposição genética e outras comorbilidades associadas (p.ex. diabetes mellitus). Aliás, a doença cardiovascular constitui a principal causa de óbito nos doentes com diabetes, sendo responsável por 50% de todas as mortes. Os valores tendem também a aumentar com a idade e nas mulheres, após a menopausa. O tabaco e a obesidade são dos mais importantes elementos de risco para as dislipidemias.
O diagnóstico de dislipidemia é feito através de testes laboratoriais sanguíneos, onde são doseados os níveis de colesterol, triglicerídeos, lipoproteínas e outros marcadores de dislipidemia.
Como posso prevenir e tratar as dislipidemias?
A prevenção e o tratamento das dislipidemias passa por uma mudança de estilo de vida, ao nível da alimentação e do exercício físico. As principais recomendações são:
A adoção de uma dieta variada, nutricionalmente equilibrada, rica em legumes, leguminosas, verduras, frutas e pobre em gorduras (totais e saturadas), reduzindo a ingestão de alimentos de origem animal;
Aumentar a ingestão de alimentos ricos em ómega 3 e fibras e evitar os alimentos processados e fritos, privilegiando os alimentos cozidos a vapor ou grelhados;
A prática regular e continuada de exercício físico, 30 a 60 minutos, quatro a sete dias por semana;
O controlo e a manutenção de peso normal, mantendo um índice de massa corporal igual ou superior a 18,5 mas inferior a 25 e um perímetro da cintura inferior a 94cm, no homem, e inferior a 80 cm, na mulher;
A restrição do consumo excessivo de álcool (máximo 2 bebidas/dia);
A diminuição do consumo de sal (valor ingerido inferior a 5,8 g/dia);
A cessação do consumo de tabaco.
Pode ainda ser necessário iniciar ou rever o tratamento farmacológico para ajudar no controlo das dislipidemias, pois existe sempre uma variação individual na resposta das dislipidemias às alterações do estilo de vida e ao tratamento farmacológico. Por isso, deve sempre manter uma vigilância regular através de testes laboratoriais e comunicar com a equipa de saúde de forma a encontrar a melhor estratégia de tratamento e prevenção.
Bibliografia
Bourbon M, Alves AC, Rato Q. Prevalência de fatores de risco cardiovascular na população. Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA, IP) ISBN: 978-989-8794-60-4. Lisboa. 2019. Disponível aqui.
George F. Norma 019/2011: Abordagem Terapêutica das Dislipidemias no Adulto. Direção Geral da Saúde. 2017. Disponível aqui.
Moura J, Couto L. Abordagem das Dislipidemias à luz das Guidelines da ESC/EAS 2019. Sociedade Portuguesa de Aterosclerose. Lisboa. 2019. Disponível aqui.
Sociedade Portuguesa da Aterosclerose. Custo e carga da aterosclerose em Portugal. Sociedade Portuguesa da Aterosclerose. Lisboa. 2019. Disponível aqui.