Segundo fontes da Organização Mundial da Saúde (OMS), estima-se que 1,13 biliões de pessoas em todo o mundo têm hipertensão, sendo que em 2015, 1 em cada 4 homens e 1 em cada 5 mulheres tinham hipertensão e que menos de 1 em 5 pessoas têm o problema sob controlo.
A nível da Europa é estimado que 30 a 45% da população apresente hipertensão arterial. Em Portugal, em 2015, 2.4 milhões de portugueses (36,0%) foram considerados hipertensos, com resultados mais frequente nos homens (39,6%), nos mais idosos (71,3%), nos indivíduos sem atividade profissional (64,5%) e nos indivíduos com menos escolaridade (62,6%). Considerando apenas os valores da tensão arterial medidos, apenas 37,3% tinha valores considerados normais.
Os doentes com hipertensão arterial têm um maior risco de desenvolverem doenças cérebro e cardiovasculares, insuficiência renal, perda gradual de visão, esclerose das artérias, entre outras.
O que é a Hipertensão Arterial (HTA)?
O sangue circula no organismo, através dos vasos sanguíneos, que tem por destino chegar a todos os tecidos e células, transportando oxigénio e nutrientes essenciais à vida. Este processo implica que exista alguma pressão sobre as paredes das artérias de forma a que o sangue chegue ao destino. Esta pressão é chamada de “pressão arterial”.
A hipertensão arterial ocorre quando a pressão arterial se encontra elevada, de uma forma crónica. O sangue é transportado do coração para todas as partes do corpo através das artérias. Cada vez que o coração bate, ele bombeia sangue para esses vasos sanguíneos. A pressão arterial é criada pela força do sangue empurrando contra as paredes das artérias enquanto é bombeado pelo coração. Quanto mais alta a pressão, mais forte o coração tem de bombear.
A pressão arterial tem duas medidas: a máxima (sistólica), que corresponde ao momento em que o coração contrai e envia o sangue para todo o corpo e a pressão mínima (diastólica) que ocorre quando o coração relaxa para se voltar a encher com sangue. O valor de tensão arterial é medido em milímetros de mercúrio (mmHg) e é escrito com dois números, como por ex. 112/78 mmHg. O número superior (112) é o valor da pressão sistólica (máxima) e o número inferior (78) é o valor da pressão diastólica (mínima).
Causas da Hipertensão Arterial
Na maioria das vezes não existe uma causa conhecida para a hipertensão arterial e estamos perante uma hipertensão primária ou essencial. É designada como hipertensão arterial secundária quando é possível encontrar uma doença ou condição associada e que é a verdadeira causa de HTA, por exemplo, na apneia do sono, na doença renal crónica, na síndrome de cushing, em doenças da tiróide, no uso de contracetivos orais, na gravidez, entre outras. A idade e a hereditariedade também são fatores de risco. No geral, quanto mais idade tiver a pessoa, maior a probabilidade de desenvolver HTA.
Outros fatores de risco de vir a desenvolver hipertensão arterial são: o tabagismo e exposição ao fumo passivo, a diabetes, ser obeso ou com sobrepeso, apresentar colesterol alto, manter uma dieta não saudável (rica em sódio, pobre em potássio e com álcool em excesso) e um estilo de vida sedentário.
Valores de referência da Tensão Arterial
Os valores de pressão arterial são considerados normais quando a pessoa apresenta ambos os valores abaixo de 130/85mg/dl. Para valores entre 130-139mmHg de PA sistólica e/ou 85-89mmHg de PA diastólica, diz-se que os valores são normais-altos, o que sugere que essa pessoa apresenta um risco maior de desenvolver HTA.
Quando, em duas avaliações em duas ocasiões diferentes, a pessoa apresenta um dos valores (sistólica ou diastólica) ou ambos, iguais ou superiores a 140/90mmHg, avaliados por um profissional treinado e usando um aparelho calibrado e validado podemos dizer que a pessoa apresenta hipertensão arterial.
Existem vários graus de hipertensão arterial, de acordo com os valores de pressão arterial. Os diferentes graus são importantes para definir a gravidade da doença e a sua abordagem. Quando apresentam valores acima dos referentes ao grau 2 é considerado que estão perante uma crise hipertensiva, uma situação emergente que necessita de atendimento médico, o quanto antes.
Categoria
Sistólica (mmHg)
Diastólica (mmHg)
TA Normal
< 130
e
< 85
TA Norma-alta
130-139
e/ou
85-89
Hipertensão Grau 1
140-159
e/ou
90-99
Hipertensão Grau 2
> 160
e/ou
> 100
Valores de Referência da Tensão Arterial
Sintomas e consequências da Hipertensão Arterial
A HTA, numa fase inicial pode ser silenciosa, não provocando qualquer sintoma nos primeiros anos de doença. No entanto, com o passar dos anos, a HTA acaba por lesar os vasos sanguíneos e alguns órgãos vitais como o cérebro, o coração e os rins podendo provocar alguns sintomas como:
Cefaleias (dores de cabeça);
Tonturas;
Zumbidos;
Mal-estar geral;
Visão desfocada;
Dor torácica (dor no peito);
Sensação de falta de ar.
A longo prazo, a hipertensão arterial é um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento de vários problemas de saúde como:
Acidente Vascular Cerebral (AVC);
Enfarte Agudo do Miocárdio (EAM);
Insuficiência Cardíaca;
Insuficiência Renal;
Doença Arterial Periférica;
Perda gradual da visão;
Disfunção eréctil.
Diagnóstico de Hipertensão Arterial
Para o diagnóstico de HTA são necessárias pelo menos duas medições de pressão arterial aumentadas, em duas ocasiões diferentes, feitas por um profissional treinado para realizar a medição. Esta deve ser feita com um aparelho calibrado e validado e uma braçadeira adequada ao tamanho do doente.
Fatores como o stress ou esforço físico podem aumentar o valor da pressão arterial, no entanto é algo esporádico e não significa que o indivíduo sofra de HTA. Por isso, o diagnóstico deverá ser feito por profissionais competentes analisando todo o historial da pessoa e outros fatores de risco associados.
O médico e enfermeiro de família realizam consultas de hipertensão arterial, onde fazem medições em consultas previamente marcadas e aconselhamento e prescrição de terapêutica quando necessário.
Posso prevenir o aparecimento da Hipertensão Arterial?
A adoção de um estilo de vida saudável, como a manutenção de um peso adequado, mudanças na dieta (reduzir o consumo de sal e álcool e aumentar o consumo de legumes e frutas), aumento da prática de atividade física e redução do stress pode ajudar a prevenir o aparecimento da doença.
A sua deteção e acompanhamento precoce também é de extrema importância de forma a reduzir o risco de desenvolvimento de doenças associadas à HTA.
Bibliografia
Fundação Portuguesa de Cardiologia. Hipertensão. 2020. Disponível aqui.
Organização Mundial de Saúde. Hipertensão. 2019. Disponível aqui.
Sociedade Portuguesa de Hipertensão. Conheça Melhor a Hipertensão Arterial. Consultado em Março de 2021. Disponível aqui.
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Obesidade – Pandemia global
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Associada ao risco de inúmeras doenças, a obesidade é um dos principais problemas de saúde pública mundial. A inúmera oferta de comidas rápidas, fáceis de comer, viciantes e supostamente mais económicas tem vindo a aumentar nos últimos anos, com várias cadeias de restauração de “fast food”, ou a chamada comida de plástico, a aparecer em todos os cantos, estimulando o consumo destes alimentos.
Além disso, e mais preocupante ainda, entra o marketing dos alimentos considerados “saudáveis”. Alimentos que são promovidos como o sucesso para uma alimentação saudável e a rápida perda de peso, mas que quando olhamos com calma para a lista de ingredientes e informação nutricional, verificamos que estão carregados de açúcar e/ou gorduras saturadas, o que é tudo menos saudável.
O comodismo, facilitismo e a reduzida literacia em saúde das populações fomenta a aquisição de comportamentos menos saudáveis e o consumo deste tipo de alimentos, levando ao aumento da prevalência das taxas de obesidade e um consequente aumento de doenças associadas e do número de mortes por causas relacionadas ao excesso de peso.
O que é a Obesidade?
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a obesidade é definida como um “acúmulo anormal ou excessivo de gordura corporal que pode atingir graus capazes de afetar a saúde. É uma doença crónica, de origem multifatorial e está associada a doenças crónico-degenerativas.”
A Obesidade ou excesso de peso pode ser “medida” através do índice de massa corporal (IMC). O IMC fornece a medida mais útil de excesso de peso e obesidade. O índice é o mesmo para ambos os géneros e para todas as idades dos adultos (entre os 18 e os 65 anos). No entanto, deve ser considerado um guia aproximado porque pode não corresponder ao mesmo grau de gordura em indivíduos diferentes.
Para adultos, a OMS define excesso de peso e obesidade quando um indivíduo apresenta um Índice de Massa Corporal maior ou igual a 25 (excesso de peso) e quando apresenta um IMC maior ou igual a 30 (obesidade). Para crianças, são utilizadas escalas próprias (padrões de crescimento infantil da OMS), que relacionam o género, idade, peso e a altura.
Crianças com menos de 5 anos são consideradas com excesso de peso quando a relação entre o peso e a altura é maior que 2 desvios-padrão acima da mediana dos padrões de crescimento infantil da OMS, e consideradas com obesidade quando essa relação é maior do que 3 desvios-padrão acima da mediana dos padrões de crescimento infantil da OMS.
Crianças com idades compreendidas entre os 5 e os 18 anos são consideradas com excesso de peso quando o IMC para a idade é maior do que 1 desvio padrão e com obesidade quando é maior do que 2 desvios padrão acima da mediana dos padrões de crescimento infantil da OMS.
Causas do excesso de peso e da obesidade
A causa fundamental do excesso de peso e obesidade não é mais do que um desequilíbrio energético entre as calorias consumidas e as calorias gastas. Ou seja, quando existe um consumo de calorias superior ao que o indivíduo necessita, este vai inevitavelmente engordar.
Os estilos de vida, como uma alimentação inadequada, com um aumento da ingestão de alimentos densos em energia (calorias), ricos em gordura e açúcares e a inatividade física e sedentarismo são fatores que influenciam a prevalência desta doença a nível mundial.
Consequências do excesso de peso e da obesidade para a saúde
São inúmeras, as consequências do excesso de peso e obesidade para a saúde. O índice de massa corporal elevado é um importante fator de risco para as doenças não transmissíveis como: as doenças cardiovasculares (doenças coronárias e cerebrais), respiratórias (insuficiência respiratória e apneia obstrutiva do sono), endócrinas (diabetes tipo 2, alteração das hormonas reprodutivas e da fertilidade), distúrbios músculo-esqueléticos (osteoartrite) e algumas neoplasias (endométrio, mama, ovário, próstata, fígado, vesícula biliar, rim e intestino). A obesidade aumenta ainda o risco de desenvolver hipertensão arterial, dislipidemias, doenças da vesícula biliar, anomalias fetais, lombalgias e síndrome do ovário poliquístico. Aumenta ainda o risco anestésico caso haja necessidade de realização de cirurgia com anestesia geral. O risco para todas essas doenças aumenta com o aumento do IMC.
A obesidade infantil está associada a maior probabilidade de obesidade na fase adulta, de morte prematura e incapacidade na vida adulta. Além dos riscos futuros, as crianças obesas apresentam problemas respiratórios, hipertensão, aumento do risco de fraturas, resistência à insulina, marcadores precoces de doenças cardiovasculares e problemas psicológicos relacionados com autoestima e bullying .
Dados estatísticos relativos à obesidade
Segundo dados da OMS, desde 1975 que a obesidade tem vindo a aumentar a nível mundial, tendo quase que triplicado. Em 2016 mais de 1,9 biliões de adultos, com 18 anos ou mais, apresentavam excesso de peso (39%), sendo que mais de 650 milhões eram obesos (13%). Em 2019, cerca de 38 milhões de crianças menores de 5 anos apresentavam excesso de peso ou obesidade. Em 2016, mais de 340 milhões de crianças e adolescentes de 5 a 19 anos apresentavam excesso de peso ou já eram consideradas obesas.
A maioria da população mundial vive em países onde o excesso de peso e a obesidade matam mais pessoas do que o baixo peso, diz a OMS.
Em Portugal, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), recolhidos através do inquérito nacional de saúde relativos a 2019, mais de metade da população adulta apresenta excesso de peso ou obesidade. Segundo o relatório, mais de metade da população com 18 ou mais anos (53,6%) tinha excesso de peso ou obesidade, apresentando um índice de massa corporal (IMC) de 25 ou mais kg/m2. A obesidade, considerada com valores de IMC 30 kg/m2, atingia 1,5 milhões de pessoas com 18 ou mais anos (16,9%), sendo as mulheres mais afetadas que os homens (17,4% e 16,4%, respetivamente). A população dos 55 aos 74 anos, era a que apresentava maiores valores de excesso de peso, com valores superiores a 20%.
Em relação a 2014 observou-se um aumento de 0,8 pontos percentuais na proporção de adultos com excesso de peso ou obesidade, principalmente nos homens, nos grupos etários mais jovens (dos 18 aos 34 anos) e nos mais idosos (85 ou mais anos).
O mesmo inquérito do INE, relativo a 2019, em Portugal, revela que a maioria da população com 15 ou mais anos não praticava qualquer atividade desportiva de forma regular (65,6%), sendo que 13,6% das pessoas referiram praticar exercício físico em um ou dois dias por semana. Para 34,0% da população, a prática semanal de exercício era inferior a duas horas. O exercício físico constituía uma prática diária para 3,7% da população. Os resultados “indicaram ainda um aumento significativo da população com 15 ou mais anos que desempenhava as suas tarefas diárias sentadas ou em pé, em atividades que envolviam um esforço físico ligeiro, para mais de metade da população (de 47,0% em 2014 para 50,7% em 2019)”. Cerca de 1/4 da população referiu passar mais de oito horas por dia sentada, incluindo o tempo que passa no trabalho, nas deslocações e em casa.
Além das taxas elevadas de inatividade física, o inquérito apurou ainda que menos de metade da população consumia legumes ou saladas diariamente (41,7%), sendo o seu consumo mais elevado na população dos 55 aos 74 anos (46,0%) e apenas 33,7% dos jovens dos 15 aos 24 anos consumiam diariamente legumes ou saladas. A proporção de pessoas com 15 ou mais anos que consumiam legumes ou saladas menos do que uma vez por semana era de 6,3% e a de pessoas que nunca o faziam representavam 1,9% Cerca 66,4% de pessoas com 15 ou mais anos revelaram que consumiam fruta diariamente (excluindo sumos de fruta), em média, 2,3 porções. O consumo diário de fruta era, no entanto, menos frequente entre as pessoas dos 15 aos 24 anos e mais frequente a partir dos 45 anos. Por outro lado, 5,4% da população em análise consumia fruta menos do que uma vez por semana e 2,3% indicou nunca o fazer.
Estratégias de prevenção da obesidade
O inquérito anterior vem demonstrar que existe necessidade de reforçar a importância de um estilo de vida mais saudável, como a adoção de uma alimentação saudável e de um aumento da prática de atividade física.
Além disso é importante a criação e manutenção de programas de intervenção que ajudem a moldar a mentalidade da população, aumentando a literacia em saúde, de forma a que consigam tomar melhores decisões a nível de alimentação e da prática de atividade física regular.
O envolvimento com a indústria alimentar revela-se também, uma parte fundamental na promoção de dietas saudáveis podendo desempenhar um papel significativo na prevenção da obesidade e da promoção da saúde. Reduzir o teor de sal, açúcar e gordura dos alimentos processados, garantir que escolhas saudáveis e nutritivas estejam disponíveis e acessíveis a todos os consumidores, restringir a comercialização de alimentos com alto teor de gorduras, açúcar e sal, principalmente aqueles destinados a crianças e adolescentes são apenas algumas das estratégias que podem ser definidas para ajudar no controlo das doenças relacionadas com a má alimentação como a obesidade. É importante também que os locais de trabalho garantam e disponibilizem escolhas alimentares mais saudáveis e que apoiem a prática regular de atividade física.
Por fim, e não menos importante, apostar mais nos cuidados de saúde primários, na educação para a saúde, na saúde escolar e na criação de atividades que permitam aumentar a literacia em saúde nas comunidades é uma das bases para que os programas nesta área funcionem.
Bibliografia
Afshin A, Mohammad SD, Forouzanfar H, Retsma B, Patrick BS, Estep, K, et al. Global Burden of Disease. Health Effects of Overweight and Obesity in 195 Countries over 25 Years. Global Burder of Disease. 2015. Published in The New England Journal of Medicine, vol. 377, July 6, 2017. Disponível aqui.
Camolas,J, Gregório M., Sousa SM, Graça P. Obesidade: Otimização da abordagem terapêutica no Serviço Nacional de Saúde 2017. Lisboa: Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável. Direção Geral da Saúde; 2017. Disponível aqui.
Instituto Nacional de Estatística (INE). Inquérito Nacional de Saúde 2019. Instituto Nacional de Estatística (INE). 2019. Disponível aqui.
World Health Organization. Obesity and overweight. WHO. 2020. Disponível aqui.
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Prevenção das Infeções Sexualmente Transmissíveis (IST)
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As infeções sexualmente transmissíveis (IST) são, tal como o nome indica, infeções que são transmitidas de uma pessoa para outra através do contacto sexual. Estas infeções são provocadas por microrganismos como bactérias, vírus e parasitas que estão no sangue, sémen e outros líquidos corporais ou à superfície, na pele e mucosas da zona genital. Por isso o contacto pode ser através de sexo vaginal, oral e anal.
São infeções sexualmente transmissíveis:
Clamídia;
Gonorreia;
Vírus da hepatite B (HBV);
Vírus da hepatite C (HBC);
Herpes genital;
Vírus do papiloma humano (HPV);
Sífilis;
Tricomoníase;
Molusco contagioso;
Sarna ou escabiose;
Pediculose ou piolhos púbicos;
Vírus da Imunodeficiência humana (VIH).
Muitas dessas doenças são assintomáticas (não apresentam sintomas) durante muito tempo por isso a pessoa pode estar contaminada, não saber que tem a doença e contaminar a outra pessoa, porque mesmo sem sintomas a doença pode ser transmitida e causar danos no organismo da pessoa infetada. Também é mais fácil contrair uma IST, por exemplo o VIH, se já tiver outra doença, por exemplo a sífilis.
Qualquer pessoa pode contrair uma IST se fizer sexo vaginal, anal ou oral com alguém que esteja infetado. Algumas dessas infeções como herpes e HPV são transmitidas pelo contacto com a pele por isso a possibilidade da transmissão via oral. A transmissão é facilitada se não usar preservativo e tiver vários parceiros sexuais. As pessoas com um único parceiro sexual ao longo da vida poderão adquirir uma IST se esse parceiro tiver relações sexuais com outras pessoas e se infetar.
As infeções sexualmente transmissíveis são mais comuns entre os jovens. Segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), em 2018 nos EUA, foram diagnosticadas 26 milhões de novas IST, sendo que cerca de metade ocorreram em pessoas com idades entre 15 e 24 anos. Segundo o centro, 1 em cada 5 pessoas tem uma IST. Como muitas IST’s são assintomáticas muitas não são detetadas e não relatadas, o que sugere que os dados recolhidos podem ser muito inferiores aos números reais.
A análise realizada incluiu oito IST comuns: clamídia, gonorreia, vírus da hepatite B (HBV), vírus herpes simplex tipo 2 (HSV-2), vírus da imunodeficiência humana (HIV), papilomavírus humano (HPV), sífilis e tricomoníase. A clamídia, tricomoníase, herpes genital e HPV foram responsáveis por 98% de todas as IST prevalentes e 93% de todas as novas IST em 2018.
Muitas destas IST são assintomáticas, mas se não forem tratadas, podem provocar doenças ou complicações graves como: doença inflamatória pélvica, epididimite, orquite, infertilidade, cancro do colo do útero, pénis ou ânus. Nas grávidas, podem provocar aborto, parto prematuro ou passar para o feto e ocasionar malformações congénitas ou doença no recém-nascido.
Os jovens correm maior risco de contraírem IST por vários motivos:
O organismo jovem, mais imaturo, tem maior suscetibilidade para adquirir IST, principalmente as mulheres jovens;
Alguns jovens têm mais do que um parceiro sexual e muitos não utilizam preservativo;
Apesar de terem comportamentos de risco, muitos jovens não fazem os testes de IST recomendados;
Falta de conhecimento acerca do assunto. Muitos jovens ainda sentem constrangimento em abordar o tema com os pais ou profissionais de saúde (médicos e enfermeiros) que os podem esclarecer e permitir acesso aos meios de diagnóstico e proteção das IST;
Dificuldade em aceder aos serviços de saúde e efetuar o pagamento das taxas moderadoras para realização das análises recomendadas.
Na maior parte das vezes as IST não se manifestam clinicamente durante meses ou anos. Nestes casos só através de análises específicas é que possível saber quem está infetado. Quando há sintomas, estes podem aparecer logo após o contacto sexual, ou levar semanas, meses ou anos a surgir. Por vezes os sintomas desaparecem mesmo sem qualquer tratamento, mas a infeção permanece no organismo.
Alguns sinais e sintomas que podem ocorrer e que pode sugerir uma IST são:
Corrimento anormal da vagina, pénis ou ânus;
Ardor ou dor ao urinar;
Feridas ou bolhas na área genital;
Comichão ou irritação na área genital;
Dor na parte inferior do abdómen ou durante o ato sexual.
Ao ter uma IST deve sempre informar os parceiros sexuais, usar sempre preservativo em qualquer contacto sexual e encaminhar os parceiros no caso de uma exposição de risco de forma a serem aconselhados e tratados. Caso tenha um novo parceiro sexual devem ambos fazer um rastreio de IST.
Para saber se tem uma IST é necessário fazer análises. Consultar um médico é importante pois é essencial fazer os tratamentos recomendados para conseguir curar uma IST ou para controlar as que não têm cura como a VHB, VHC e HIV, por exemplo.
Contudo, é possível fazer os rastreios de IST’s em vários locais, onde existe confidencialidade, rapidez de diagnóstico e a possibilidade de acompanhamento através de consultas especializadas.
Se tiver dúvidas ou precisar de entrar em contacto com alguma dessas unidades ficam os links em baixo:
Mas mais importante do que tratar é prevenir. Para prevenir as IST deve-se usar sempre, em qualquer contacto sexual, o preservativo. Este deve ser utilizado corretamente e logo no início, antes de qualquer contacto. Deve-se ter em atenção:
Para o sexo oral usar os preservativos mais finos e para o sexo anal os mais fortes;
Em cada novo contacto sexual usar sempre um novo preservativo;
Colocar o preservativo com o pénis em ereção, certificando-se de que não fica ar na parte terminal e, no final, retirá-lo com cuidado, dar um nó e deitá-lo no lixo;
Abrir a embalagem com cuidado, não utilizando as unhas, os dentes ou objetos cortantes;
Caso seja necessário o uso de lubrificantes, escolher os produtos à base de água pois a vaselina e outros produtos oleosos pode danificar o latex dos preservativos retirando-lhes a eficácia;
Guardar os preservativos em locais seco e fresco, não expostos ao sol.
Tem atenção ao prazo de validade, inscrito na embalagem.
Neste momento existe também outra ferramenta contra uma IST importante – a vacina contra o HPV. A vacina contra o HPV que já era gratuito para raparigas passou a integrar, desde 2019 o plano nacional de vacinação, tornando-se numa medida importante na prevenção desta doença.
Além do cumprimento do plano de vacinação, do uso correto e seguro do preservativo deve também existir uma mudança de mentalidades e comportamentos. Diminuir o estigma envolto da sexualidade e das IST, a diminuição dos comportamentos de risco e a aposta no diagnóstico e tratamento precoce são ferramentas fundamentais para se conseguir travar ou pelo menos diminuir o avanço desta pandemia mundial.
Bibliografia
Associação para o planeamento da família. Infeções sexualmente transmissíveis. Disponível aqui.
Centers for Disease Control. National Center for HIV, Viral Hepatitis, STD, and TB Prevention. Disponível aqui.
Centers for Disease Control. Sexually Transmitted Infections Prevalence, Incidence, and Cost Estimates in the United States. Division of STD Prevention, National Center for HIV, Viral Hepatitis, STD, and TB Prevention, Centers for Disease Control and Prevention. 2021. Disponível aqui.
Sociedade Portuguesa de Dermatologia e Venereologia. Grupo para o Estudo e Investigação das Doenças Sexualmente Transmissíveis. Disponível aqui.
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Copo menstrual – amigo da mulher e do meio ambiente
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A menstruação é um processo fisiológico, natural e é um tema que deverá ser encarado sem vergonha e sem tabus. Ainda é comum ser associado a crenças culturais e religiosas em países em desenvolvimento como a Índia, por exemplo. Os tabus associados à menstruação ainda impõem restrições a algumas mulheres que, durante este período, permanecem isoladas em casa, não tomam banho e são consideradas “impuras” em algumas culturas.
No entanto, mesmo quando os tabus não são um problema, a menstruação pode ter um impacto adverso na vida das mulheres. Os diferentes materiais de proteção menstrual podem ter impactos diretos ou indiretos na sociedade e ambiente. Tanto pelos custos ao adquiri-los e a praticabilidade de utilização como pelo impacto ambiental aquando o descarte dos materiais, como os pensos e tampões, por exemplo. Além disso existe a procura de algo que seja prático e que permita fazer uma vida perfeitamente normal mesmo estando menstruada.
Produtos menstruais de fácil utilização, reutilizáveis e económicos são procurados cada vez mais pela sociedade e apesar de já terem sido inventados há mais de um século só nos dias que correm é que começam a surgir como uma alternativa viável a todos os outros produtos disponíveis no mercado.
O que é o copo menstrual e quais são as suas vantagens?
O copo menstrual, conhecido também como coletor menstrual, é um copo pequeno e flexível em forma de funil feito de silicone medicinal que é inserido na vagina para recolher/coletar o fluido menstrual, em vez de o absorver. Este dispositivo é considerado uma alternativa favorável à saúde e ao meio ambiente. É fabricado com silicone antialérgico e não tóxico tornando-se absolutamente inerte e macio o que diminui a probabilidade de infeções, alergias, erupções cutâneas e escoriações e como é usado internamente, no canal vaginal, elimina o mau cheiro e a sensação de humidade.
Também pode ser usado por cerca de 12 horas, dependendo da quantidade do fluxo menstrual (o útero produz, em média, 30 a 80 mililitros de menstruação a cada ciclo), devido à sua grande capacidade coletora (30 a 60 ml) e a sua adaptabilidade ao corpo. É muito fácil de manusear e quando bem colocado permite uma maior liberdade de movimento não sentindo sequer que o está a usar.
É um dispositivo reutilizável que pode durar entre 3 a 10 anos, se for usado com cuidado. É fácil de limpar, armazenar e transportar. Este pode e deve ser esterilizado antes e após o uso promovendo uma utilização higiênica e segura.
Informação baseada em evidência científica através de estudos clínicos comprovam os benefícios da utilização dos copos menstruais. Uma revisão de literatura realizada em 2019 revela que cerca de 70% dos participantes de 13 estudos que usaram o copo menstrual declararam querer continuar o seu uso.
Foram identificados alguns relatos de casos acidentais de danos vaginais, síndrome do choque tóxico ou queixas do trato urinário após o uso do copo menstrual, e também foi relatada alguma dificuldade em removê-lo. Nos EUA, a incidência de todos os tipos de síndrome do choque tóxico foi de cerca de 0,8-3,4 por 100.000 habitantes, enquanto que a síndrome do choque tóxico menstrual foi relatada em 6-12 por 100.000 utilizadoras de tampões de alta absorção em 1980. O risco relatado de choque tóxico síndrome com o uso de copo menstrual parece baixa, com cinco casos identificados na nossa pesquisa na literatura.
Nos estudos que examinaram a vagina e o colo do útero durante o estudo, não ocorreu nenhum dano mecânico com o uso do copo menstrual. O risco de infeção não pareceu aumentar e, em comparação com absorventes e tampões, alguns estudos indicaram uma diminuição do risco de infeção.
Um estudo no Quênia detetou menos casos de vaginose bacteriana em utilizadoras de copo menstrual do que naquelas que usaram absorventes higiénicos referindo que o material do copo menstrual pode ajudar a manter um pH vaginal e flora microbiana saudáveis. A dor relatada pode estar relacionada a variações na anatomia pélvica ou ao posicionamento incorreto do copo menstrual, levando à pressão interna.
Um dos estudos realizados durante 3 meses, em 2017, com uma amostra de 158 mulheres da Índia revela que mais de 80% das participantes acharam o copo menstrual fácil de introduzir com aumento do conforto no segundo e terceiro ciclo principalmente devido à experiência anterior e 90% acharam fácil de remover. A dificuldade de remoção referida pelas participantes foi devido a menstruações escassas, secura vaginal e desconforto pelo contato com o fluido menstrual. Houve um problema mínimo de fuga que consideraram o equivalente à fuga existente quando usavam o método anterior (tampões e pensos).
Outro relatório recente descreve a aceitabilidade de um copo menstrual entre adolescentes meninas em idade escolar no Nepal. Este estudo relata a rápida adoção do uso de copos, com 60% usando copos aos 6 meses e continuando o uso durante todo o estudo e um estudo do Zimbábue relatou que todas as mulheres pesquisadas (n = 43) definitivamente experimentariam um copo menstrual, e 86% relataram que usá-lo faria diferença em suas vidas.
Relativamente à combinação do uso do copo menstrual e a utilização de um DIU (Dispositivo intrauterino) ainda existe pouca informação pelo que existe necessidade de estudos adicionais pois o uso de copos menstruais foi relatado, em algumas situações, como um possível fator para o deslocamento do DIU.
Em todos os estudos, a maioria dos participantes não encontrou nenhum problema em realizar a limpeza do copo. Os que encontraram dificuldade foi devido à indisponibilidade de instalações sanitárias e privacidade. Os problemas de erupções cutâneas, secura, infeção e alergia foram mínimos e tratados de forma adequada. O copo menstrual foi aceite pela maioria das utilizadoras que referiram vantagens como o conforto, a facilidade de uso e eficácia na colheita do fluxo menstrual, permitindo ainda fazer uma avaliação quantitativa da perda de sangue menstrual. As vantagens citadas incluem conveniência geral, portabilidade e fácil armazenamento, tempo de uso prolongado e maior liberdade de movimento. De um modo geral, as mulheres preferiam o copo a seu método atual de controle menstrual.
Claramente, a principal barreira para a aceitação do copo menstrual é a exigência de que o copo menstrual seja manipulado para dentro e para fora do canal vaginal, sendo necessária o contacto com os tecidos genitais e o fluido menstrual. Esse problema pode ser contornado com o devido aconselhamento das utilizadoras quanto ao seu uso.
Desta forma podemos considerar o copo menstrual como uma alternativa favorável à saúde e ao meio ambiente. Podemos também esperar que o aumento da consciencialização global sobre as questões de saúde da mulher e esforços na literacia em saúde desmistifique determinados mitos e tabus acerca da menstruação e permita que se aborde este tema com a naturalidade que ele impõe.
Bibliografia
Anjos V, Dias M, Dias V. Coletor menstrual: uma análise a luz do metaprojeto. Colóquio Internacional de Design. 2017. Disponível aqui.
Bhattarai S, Biermann O, Emgard M, et al. Acceptability and feasibility of using vaginal menstrual cups among schoolgirls in rural Nepal: qualitative pilot study. Republic Health 18, article number: 20. 2021. Disponível aqui.
Bhatt J, Kakani C. Study of adaptability and efficacy of menstrual cup in managing menstrual health and hygiene. International Journal of Reproduction, Contraception, Obstetrics and Gynecology. pISSN 2320-1770 | eISSN 2320-1789. 2017. Disponível aqui.
Eijk A, Lenchner M, Nyothach E. et al. Menstrual cup use, leakage, acceptability, safety, and availability: a systematic review and meta-analysis. The Lancet Public Health. Articles, vol. 4 ISSUE 8, E376-E393. 2019. Disponível aqui.
Preidt R. Menstrual cups equal pads, tampons in effectiveness, data shows. HeathDay News. July 17. 2019. Disponível aqui.
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Plano Nacional de Vacinação (PNV)
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O Plano Nacional de Vacinação (PNV) aplica-se, gratuitamente, a todas as pessoas residentes em Portugal. É um calendário de toma de vacinas recomendado pelas autoridades de saúde em Portugal. As vacinas incluídas no PNV são administradas universal e gratuitamente ao maior número possível de pessoas, não existindo barreiras para a sua administração, exceto no caso em que um indivíduo tenha contra-indicações médicas.
Recomendam-se diferentes esquemas vacinais gerais, em função da idade, do estado vacinal anterior e ainda esquemas vacinais específicos para grupos de risco ou em circunstâncias especiais.
Vacinas recomendadas pelo Plano Nacional de Vacinação
Presentemente, o PNV recomenda as seguintes vacinas:
Às crianças, dependendo da idade, recomendam-se as seguintes vacinas:
Contra a hepatite B (VHB);
Difteria, tétano, tosse convulsa (DTPa);
Poliomielite (VIP);
Doença invasiva por Haemophilus influenzae do serotipo b (Hib);
Infeções por Streptococcus pneumoniae de 13 serotipos (Pn13);
Doença invasiva por Neisseria meningitidis do grupo B e do grupo C (MenB e MenC);
Sarampo, parotidite epidémica, rubéola (VASPR);
Vírus do Papiloma humano (HPV).
Durante toda a vida são recomendadas as vacinas:
Contra o tétano e a difteria (Td);
E dependendo do número de doses anteriores, da idade e do risco acrescido, recomenda-se também as vacinas contra o sarampo, rubéola e poliomielite.
Às grávidas, em cada gravidez, recomenda-se uma dose da vacina contra a tosse convulsa, combinada com tétano e a difteria em doses reduzidas (Tdpa);
A grupos com risco acrescido para determinadas doenças recomendam-se ainda, para além de várias das vacinas recomendadas à população em geral, as vacinas contra:
Tuberculose (BCG);
Infeções por Streptococcus pneumoniae de 23 serotipos;
Doença invasiva por Neisseria meningitidis dos grupos ACWY;
Hepatite A.
Estas quatro últimas vacinas não estão previstas no esquema geral, mas quando estamos perante os grupos expressamente referidos na norma da Direção Geral da Saúde (DGS) são aconselhadas e administradas gratuitamente.
De seguida é apresentado o plano nacional de vacinação que, em formato de quadro, mostra as vacinas e as idades em que deverão ser administradas. Existem variações deste esquema que são adaptados a casos específicos ou a grupos de risco que são avaliados de forma individualizada.
No site da DGS consegue aceder ao Plano nacional de Vacinação completo com as especificidades inerentes.
Plano Nacional de Vacinação – Fonte: Programa Nacional de Vacinação 2020 da DGS
Especificidades do Plano Nacional de Vacinação
Determinadas vacinas administradas são compostas, em que com apenas uma dose, são inoculados antigénios de várias doenças como por exemplo a VASPR que protege contra o sarampo, a parotidite epidémica e a rubéola.
Para a mesma doença existe a necessidade de serem administradas mais do que uma dose da vacina, em diferentes meses ou anos, para conseguir uma imunização completa contra a doença. Por exemplo, a vacina contra a hepatite B (VHB) deve ser administrada ao nascimento, aos 2 e aos 6 meses de idade, por isso aparece no quadro a sigla VHB1 que corresponde à primeira dose, a VHB 2 que corresponde à segunda dose e a VHB 3 que corresponde à terceira dose.
A vacina contra o tétano e difteria é administrada em 5 doses até aos 5 anos conjunta com a tosse convulsa (DTPa), mas aos 10 anos deverá ser repetida a vacina TD, contra o tétano e difteria, que deverá ser repetida de 20 em 20 anos até aos 65. A partir daí será de 10 em 10 anos.
As grávidas deverão receber uma dose de vacina combinada contra a tosse convulsa, o tétano e a difteria em doses reduzidas (Tdpa), entre as 20 e as 36 semanas de gestação, idealmente às 32 semanas, após a ecografia morfológica (recomendada entre as 20 e as 22 semanas e 6 dias).
De acordo com o esquema vacinal, aos 6 e aos 12 meses de idade completa-se a primovacinação, respetivamente, para oito e para 12 infeções/doenças das 13 abrangidas pelos esquemas gerais do PNV, e aos 10 anos de idade completa-se o esquema recomendado à população em geral, para 13 infeções/doenças.
A vacinação no primeiro ano de vida, incluindo a recomendada aos 12 meses de idade, deve ser escrupulosamente cumprida nas idades recomendadas, sem atrasos. Este é o período de maior vulnerabilidade, requerendo imunização precoce, para evitar as respetivas doenças que podem ser graves.
A vacinação com BCG (a vacina contra a tuberculose) é administrada unicamente a bebés recém-nascidos pertencentes a grupos de risco. Esta vacinação deve ocorrer na maternidade ou o mais brevemente possível no período neonatal.
Todas as vacinas são administradas por enfermeiros nos Centros de Saúde. Cada situação é avaliada de forma individualizada e o seguimento é feito continuamente em consultas devidamente agendadas com o seu enfermeiro de família, que esclarece qualquer dúvida relativa à vacinação.
Bibliografia
Calé M, Fernandes T, Freitas G, et al. Programa Nacional de Vacinação 2020. Direção Geral da Saúde. Lisboa. 2020. Disponível aqui.
Centers for Disease Control and Prevention. Vacines and Immunizations. CDC. 2021. Disponível aqui.
Centers for Disease Control and Prevention. Vacines for your children. CDC. 2019. Disponível aqui.
Portal europeu de informação sobre vacinação. Disponível aqui.
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História e importância da vacinação
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A história das vacinas remonta ao Século X (ano 1600), onde há registos em que um imperador chinês praticava a inoculação de material de pústulas, de uma pessoa doente com varíola, na pele de outras pessoas ou soprando-o nas narinas das mesmas, prática que já seria realizada há muitos séculos atrás.
Durante o final da década de 1760 Edward Jenner, um médico inglês, inocula uma criança de 8 anos com varíola bovina através do material de pústulas das mãos de uma leiteira. A criança teve uma reação ligeira, com alguns sintomas, mas recuperou ao fim de dias. Em julho do mesmo ano, o mesmo médico inocula material de pústulas de varíola humana e a mesma criança inoculada anteriormente não desenvolve qualquer sintoma.
A segunda geração de vacinas foi introduzida na década de 1880 por Louis Pasteur. Em 1879 foi criada a primeira vacina de laboratório, através de bactérias causadoras de cólera atenuadas para prevenção de cólera nas galinhas. Louis Pasteur desenvolveu desta forma a vacina contra a cólera, tendo desenvolvido também a vacina contra o antraz.
Vacinas contra a difteria, sarampo e rubéola foram introduzidas durante o século XX, sendo bem-sucedidas e sendo consideradas, no final do século XIX uma questão de prestígio nacional, tendo surgido leis de vacinação obrigatórias. O desenvolvimento da vacina contra a poliomielite e a erradicação da varíola durante os anos 1960 e 1970 foram marcos decisivos na história da vacinação global.
Antes da invenção e utilização das vacinas doenças como coqueluche, poliomielite, sarampo, Haemophilus influenzae e rubéola atingiam centenas de milhares de bebés, crianças e adultos no mundo, morrendo milhares por causa dessas doenças. À medida que as vacinas se foram desenvolvendo e utilizando em larga escala, os números dessas doenças diminuíram bruscamente até hoje, sendo que a maioria delas quase desapareceu na maior parte dos países.
Dados do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) relatam que quase todas as pessoas nos EUA contraíram sarampo antes de haver uma vacina e centenas morreram por causa disso a cada ano. Hoje, a maioria dos médicos nunca viu um caso de sarampo. Mais de 15.000 americanos morreram de difteria em 1921, antes que houvesse uma vacina. Apenas dois casos de difteria foram relatados ao CDC entre 2004 e 2014. Uma epidemia de rubéola, em 1964-65 infetou 12,5 milhões de americanos, matou 2.000 bebés e causou 11.000 abortos espontâneos. Desde 2012, apenas 15 casos de rubéola foram notificados ao CDC.
Contudo, a única doença que foi erradicada totalmente do planeta foi a varíola. As restantes doenças não desapareceram mas praticamente não existem graças à vacinação da população mundial. Se as taxas de vacinação diminuíssem, as doenças poderiam voltar a tornar-se tão comuns como eram antes das vacinas.
Por exemplo, se um ou dois casos de uma doença forem introduzidos numa comunidade onde a maioria das pessoas não foi vacinada, vão ocorrer surtos daquela doença. Um exemplo disso ocorreu em 1974, onde cerca de 80% das crianças japonesas estavam a ser vacinadas contra a coqueluche. Naquele ano, houve apenas 393 casos de coqueluche em todo o país e nenhuma morte relacionada. A partir daí começaram a diminuir bruscamente as taxas de imunização até que apenas cerca de 10% das crianças estavam a ser vacinadas. Em 1979, mais de 13.000 pessoas contraíram coqueluche e 41 morreram. Quando a vacinação de rotina foi retomada, os números da doença diminuíram novamente.
Neste momento a Europa atravessa um surto de casos de sarampo. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS) foram registados 89.994 casos de sarampo em 48 países europeus no primeiro semestre de 2019, mais do dobro do mesmo período do ano passado (44.175) e mais do que em todo o ano de 2018 (84.462). No Reino Unido foram notificados 953 casos em 2018 (489 desde 01 de janeiro de 2019), enquanto 2.193 foram relatados na Grécia, 1.466 na Albânia, e 217 na República Checa. Na Europa, a maioria das pessoas infetadas tem menos de 19 anos (60% dos casos).
No primeiro semestre de 2019, 78% dos casos foram registados em quatro surtos de contágio: Cazaquistão, Geórgia, Rússia e Ucrânia, que por si só representam 60% dos casos. Até 2020, o sarampo era considerado uma doença endémica em 12 países, incluindo França e Alemanha, onde a vacinação não era obrigatória.
Não existe cura para o sarampo, mas esta doença pode ser evitada com duas doses de uma vacina.
Portugal alcançou o estatuto de eliminação do Sarampo e da Rubéola em 2017, de acordo com a avaliação efetuada pela Comissão Regional de Verificação da Eliminação do Sarampo e da Rubéola da Região Europeia da OMS, graças a uma presença de elevadas coberturas vacinais contra o sarampo e a rubéola e uma resposta eficaz dos serviços de saúde. Contudo, na sequência do crescente número de casos de sarampo registados na Região Europeia, o sarampo reapareceu em Portugal em fevereiro de 2017, levando a dois surtos com um total de 27 casos confirmados.
No entanto, a forte aposta no Programa Nacional de Eliminação do Sarampo e no Programa Nacional de Vacinação coordenados pela DGS e a articulação com os serviços de saúde foram essenciais para o rápido controlo dos surtos ocorridos em Portugal em 2017 e fundamentais para a manutenção do estatuto de eliminação do sarampo e da rubéola. Em 2018, até à data foram confirmados 114 casos de sarampo em Portugal (três surtos e dois casos isolados), todos associados à importação da doença.
Considera-se o reaparecimento do sarampo em todo o mundo devido ao escasso acesso aos cuidados de saúde e ao aumento crescente da desconfiança relativamente às vacinas. Nos países ocidentais têm surgido cada vez mais movimentos “antivacinais”, que afirmam existir uma ligação entre as vacinas e outras consequências graves para a saúde. O exemplo mais conhecido é a ligação entre a vacina do sarampo e o autismo, ligação essa que surgiu de um estudo falsificado que já foi desmentido pela OMS. A resistência à vacinação foi classificada pela Organização Mundial da Saúde como uma das dez maiores ameaças à saúde global neste 2019
A vacinação é uma ferramenta poderosa e uma das formas mais eficazes e menos dispendiosas de prevenir doenças infeciosas. Esta forma de imunização ativa está cientificamente provada e impede entre duas e três milhões de mortes anuais relacionadas com doenças como o sarampo, a tosse convulsa ou tétano neonatal, segundo dados da OMS.
Bibliografia
Aps L, Castro J, Ferreira L, et al. Adverse events of vaccines and the consequences of non-vaccination: a critical review. Revista de Saúde Pública vol. 52. 2018. EISSN: 1518-8787. Disponível aqui.
Calé M, Fernandes T, Freitas G, et al. Programa Nacional de Vacinação 2020. Direção Geral da Saúde. Lisboa. 2020. Disponível aqui.
Centers for Disease Control and Prevention. Vacines and Immunizations. CDC. 2021. Disponível aqui.
Centers for Disease Control and Prevention. Vacines for your children. CDC. 2019. Disponível aqui.
Portal europeu de informação sobre vacinação. Disponível aqui.
The history of Vaccines – Na educational resource by the college of phisicians of Philadelphia. Disponível aqui.
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O que são vacinas e como funcionam?
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Uma vacina é uma substância produzida em laboratório, derivada ou quimicamente idêntica a um agente infecioso, que se assemelha a um microrganismo, que causa uma determinada doença. Essas substâncias, estranhas ao organismo são chamadas de antigénios. Os antigénios das vacinas são normalmente compostos por microrganismos (vírus ou bactérias) completos, mortos ou atenuados, ou de um fragmento desses microrganismos.
Os antigénios vão estimular o sistema imunológico do organismo. O organismo vai reconhecê-lo como uma ameaça produzindo anticorpos (defesas) contra esse agente infecioso. Caso exista um contato posterior com esse agente, o sistema imunitário vai identificá-lo e, como já tem anticorpos preparados para aqueles antigénios, vai tentar destruí-lo, combatendo assim a doença causada por aquele microrganismo.
Mais recentemente e com a urgência em encontrar uma vacina para combater a pandemia causada pelo Sars Cov2, começaram a surgir as vacinas de RNA (Ácido ribonucléico) que já seriam alvo de estudos anteriores. O RNA é uma molécula que carrega o código genético do DNA. Nas vacinas de RNA é usado a sequência genética ou “código” do antigénio traduzido em RNA para provocar uma resposta do sistema imunitário. Neste caso não é necessário injetar os microorganismos. Depois de provocar uma reação do sistema imunitário, o RNA artificial desaparece, destruído pelas defesas naturais do corpo deixando-nos apenas com os anticorpos.
Por isso quando um indivíduo é vacinado, o seu sistema imunitário reage como se tivesse sido infetado pelo agente infecioso, passando a produzir anticorpos contra a doença.
O antigénio da vacina é apresentado em pequenas quantidades na dose da vacina, numa forma purificada, diluído num líquido estéril. Por vezes é combinado com adjuvantes, que amplificam a reação imunitária.
Algumas vacinas conferem proteção total, em que o indivíduo vacinado não sofre a doença mesmo que entre em contacto com o agente infecioso enquanto que outras, não sendo capazes de prevenir a doença, conseguem proteger o organismo das suas formas mais graves evitando futuras complicações. Contudo, em qualquer dos casos, o risco inerente à toma da vacina será sempre menor do que o risco e as sequelas da doença.
As vacinas são consideradas medicamentos, no entanto apresentam várias diferenças relativamente a esses. Os medicamentos clássicos são usados em indivíduos doentes, como forma de terapêutica contra uma determinada doença. Normalmente ocorre uma melhoria com um efeito visível a curto ou médio prazo, como por exemplo no caso dos antibióticos, analgésicos e anti-inflamatórios.
As vacinas são usadas em indivíduos saudáveis, como forma de prevenção de uma doença. O efeito das vacinas não é percetível de forma imediata, porque a pessoa não contrai a doença, no entanto, apresenta um efeito não só individual mas coletivo. Ou seja, protege a pessoa vacinada e, quando é atingida uma determinada percentagem (variável dependendo da vacina) de pessoas vacinadas na mesma comunidade é adquirida a chamada imunidade de grupo.
A imunidade de grupo acontece quando existe uma diminuição do número de pessoas suscetíveis à doença, interrompendo a circulação do microrganismo nessa comunidade. Quanto maior for a adesão a uma vacina dentro da comunidade, menor será a possibilidade de uma doença contagiosa provocar uma epidemia ou surto.
Como funciona a imunidade de grupo
No seguimento de décadas de experiência e de muitos milhões de vacinas administradas, está garantido cientificamente um elevado grau de segurança, eficácia e qualidade nas vacinas. Graças às vacinas já se conseguiu erradicar uma doença terrível – a varíola. Apenas o fornecimento de água potável às populações, contribuiu tão decisivamente para a melhoria da saúde pública como as vacinas.
Todas as pessoas têm acesso às vacinas de forma gratuita e segura. Portugal dispõe de um Programa Nacional de Vacinação (PNV), que é universal, gratuito e acessível a todas as pessoas residentes em Portugal. O objetivo do PNV é a proteção dos indivíduos e da população em geral contra as doenças com maior potencial para constituírem ameaças à saúde pública e para as quais há proteção eficaz por vacinação.
A vacinação é um ato de cidadania. Ao ser vacinado está a proteger-se a si, aos outros e ao futuro.
Bibliografia
Aps L, Castro J, Ferreira L, et al. Adverse events of vaccines and the consequences of non-vaccination: a critical review. Revista de Saúde Pública vol. 52. 2018. EISSN: 1518-8787. Disponível aqui.
Calé M, Fernandes T, Freitas G, et al. Programa Nacional de Vacinação 2020. Direção Geral da Saúde. Lisboa. 2020. Disponível aqui.
Centers for Disease Control and Prevention. Vacines and Immunizations. CDC. 2021. Disponível aqui.
Centers for Disease Control and Prevention. Vacines for your children. CDC. 2019. Disponível aqui.
Portal europeu de informação sobre vacinação. Disponível aqui.
The history of Vaccines – Na educational resource by the college of phisicians of Philadelphia. Disponível aqui.
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O que são doenças cardiovasculares?
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Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), as doenças cardiovasculares são a principal causa de morte no mundo. Estimam que, em 2019, morreram 17,9 milhões de pessoas devido a doenças cardiovasculares, o que representa 32% de todas as mortes a nível global. Destes óbitos, estimam que 85% ocorreram devido a enfartes agudos do miocárdio e acidentes vasculares cerebrais.
Das 17 milhões de mortes prematuras (pessoas com menos de 70 anos) causadas por doenças crónicas não transmissíveis, 37% foram resultado de doenças cardiovasculares.
As doenças cardiovasculares (DCV) são, tal como o próprio nome indica, doenças que afetam o coração (cardio) e os vasos sanguíneos (vasculares). Ou seja, afetam o sistema circulatório. As mais preocupantes são a doença das artérias coronárias (do coração) e a das artérias do cérebro, podendo, no entanto, afetar qualquer artéria do nosso corpo provocando diferentes sintomas e distúrbios. As doenças cardiovasculares incluem:
Doença arterial coronária: doença que afeta os vasos sanguíneos que irrigam o músculo cardíaco;
Doença cerebrovascular: doença que afeta os vasos sanguíneos que irrigam o cérebro;
Doença arterial periférica: doença que afeta os vasos sanguíneos que irrigam os braços e as pernas;
Doença cardíaca reumática: doença em que existe danos no músculo e válvulas cardíacas, causados por bactérias estreptocócicas, devido à febre reumática;
Cardiopatia congénita: doença em que existem malformações na estrutura do coração desde o nascimento;
Trombose venosa profunda e embolia pulmonar: são formados coágulos sanguíneos nas veias das pernas que podem mover-se para o coração e pulmões.
As doenças cardiovasculares mais comuns são as que afetam as artérias do coração (angina e enfarte agudo do miocárdio) e do cérebro (acidente vascular cerebral). E quase todas são provocadas por uma doença vascular crónica e progressiva – a aterosclerose.
O que é a aterosclerose?
A aterosclerose é uma doença vascular crónica e progressiva e é causada principalmente por níveis elevados de colesterol na corrente sanguínea, especialmente o colesterol LDL (low density lipoprotein ou lipoproteína de baixa densidade) ou também conhecido como o colesterol “mau”.
Na aterosclerose existe um depósito de placas de gordura (colesterol) e cálcio no interior das artérias. Este processo pode originar uma obstrução (parcial ou completa) da artéria, o que dificulta a circulação sanguínea nos órgãos atingidos podendo mesmo impedi-la, provocando muitas vezes danos irreparáveis.
Imagem representativa da aterosclerose
Quando existe uma obstrução da artéria podem surgir alguns sintomas relacionados com o órgão afetado e a gravidade da obstrução. Por exemplo, se as artérias dos membros inferiores forem afetadas pode surgir uma dor intermitente durante uma caminhada. Se os vasos que fornecem sangue ao coração ficarem parcialmente obstruídos, pode surgir uma dor ou desconforto torácico, podendo mesmo ocorrer um ataque cardíaco (enfarte agudo do miocárdio – EAM), no caso de ficarem muito estreitos ou totalmente bloqueados. E o mesmo pode acontecer com as artérias do cérebro podendo, em casos de obstrução grave, resultar num acidente vascular cerebral (AVC). Os acidentes vasculares cerebrais também podem ser causados por um sangramento de um vaso sanguíneo no cérebro ou por coágulos sanguíneos que bloqueiam a circulação.
A aterosclerose pode começar em idades jovens e pode ter uma evolução lenta e silenciosa. Por isso é importante adotar medidas preventivas e promover a identificação precoce de pessoas com maior risco de desenvolver doenças cardiovasculares.
Quais são os principais fatores de risco da aterosclerose e das doenças cardiovasculares?
As causas das principais doenças cardiovasculares (como o enfarte do miocárdio e o acidente vascular cerebral) é geralmente a presença de uma combinação de determinados fatores de risco como:
Alimentação pouco saudável;
Obesidade;
Sedentarismo;
Tabagismo;
Uso nocivo do álcool;
Hipertensão arterial;
Diabetes;
Hipercolesterolemia (níveis elevados de colesterol no sangue).
Estes fatores conhecidos como fatores de risco cardiovasculares (FRCV), resultam na maioria em aterosclerose.
Existe também uma componente genética que pode desencadear alguns fatores de risco.
Elevados níveis de stress também se revelaram, em estudos realizados, prejudiciais e possíveis potenciadores, em associação com outros fatores de risco, de doenças cardiovasculares.
Como prevenir doenças cardiovasculares?
Milhões de pessoas em todo o mundo lutam para controlar os fatores de risco que levam às doenças cardiovasculares, mas muitos outros permanecem sem saber que são de alto risco. Um grande número de enfartes e acidentes vasculares cerebrais podem ser evitados controlando os principais fatores de risco por meio de intervenções no estilo de vida e tratamento com medicamentos, quando necessário.
A cessação do uso do tabaco, a adoção de uma alimentação mais saudável (com redução do sal na dieta e aumento do consumo de frutas e vegetais), a prática de atividade física regular e a diminuição do uso nocivo de álcool reduzem o risco de doenças cardiovasculares. O tratamento medicamentoso para a diabetes, a hipertensão e a hipercolesterolemia pode também ser necessário para a redução do risco cardiovascular e prevenção das doenças cardiovasculares.
Muitos dos parâmetros que identificam os fatores de risco cardiovasculares (tensão arterial, peso, níveis de colesterol, por exemplo) podem ser medidos e acompanhados nos cuidados de saúde primários, junto do médico e enfermeiro de família. Estes profissionais podem identificar o problema, através da avaliação desses parâmetros. Após o diagnóstico, vão aconselhar e prescrever medicação, caso seja necessário, de forma a prevenir ou minimizar os efeitos dos fatores de risco cardiovasculares na saúde.
Por isso, adote um estilo de vida mais saudável e vigie regularmente o seu estado de saúde. Quando falamos em doenças cardiovasculares podemos dizer que “a prevenção é sempre o melhor remédio.”
Bibliografia
Direção Geral da Saúde. Programa Nacional para as Doenças Cérebro-Cardiovasculares. Lisboa Direção-Geral da Saúde. 2017. Disponível aqui.
Healthy-Heart. O que é a Doença Cardíaca. DCV – Doenças Cardiovasculares. Healthy-Heart.org. 2021. Disponível aqui.
Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge. Sabe como prevenir doenças cardiovasculares? Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge. 2021. Disponível aqui.
Organização Pan-Americana de Saúde. Doenças Cardiovasculares. OPAS. 2021. Disponível aqui.
World Health Organization. Cardiovascular Diseases. WHO. 2021. Disponível aqui.
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Fatores de Risco Cardiovascular (FRCV)
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Quando dizemos que uma pessoa apresenta risco de Doença Cardiovascular (DCV) referimo-nos à probabilidade que essa pessoa tem de vir a sofrer de uma doença cardiovascular no futuro. Esse risco vai depender de vários fatores. Esses fatores, designados como Fatores de Risco Cardiovascular (FRCV) são condições que, ao existirem num determinado indivíduo, aumentam a probabilidade de aparecimento de uma doença cardiovascular contribuindo para o seu desenvolvimento. Os FRCV podem ser classificados em dois tipos: os modificáveis e os não modificáveis.
Os FRCV não modificáveis, dizem respeito ao género, idade e ao património genético de indivíduos, com história pessoal e familiar de Doença Cardiovascular (DCV). Estes fatores não são passíveis de intervenção, daí a designação de não modificáveis.
Os FRCV modificáveis são passíveis de intervenção podendo ser prevenidos e corrigidos, adotando um estilo de vida mais saudável. Estes podem ser biológicos, como a Hipertensão Arterial (HTA), a Diabetes Mellitus (DM) , a Dislipidemia (colesterol elevado – hipercolesterolemia e triglicerídeos elevados – hipertrigliceridemia) e a Pré-obesidade/Obesidade, estando maioritariamente associados a estilos de vida menos saudáveis, como alimentação inadequada e o sedentarismo e/ou baixo nível de atividade física. O consumo de tabaco e o consumo excessivo de álcool também entram no grupo de fatores de risco, associados a comportamentos prejudiciais à saúde. O rendimento, a educação, profissão e condições de vida também podem causar impacto nestes fatores de risco podendo promover o seu aparecimento.
É de salientar que estes fatores interagem entre si e potenciam-se, tendo a sua associação um efeito sinérgico, aumentando de forma considerável o risco de doenças cardiovasculares.
Em 2019, o Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge divulgou o relatório de um estudo realizado entre 2012 e 2014 pela Unidade de Investigação e Desenvolvimento do Departamento de Promoção da Saúde e Prevenção de Doenças não Transmissíveis, sobre a prevalência de fatores de risco cardiovascular na população portuguesa. Esse relatório apresenta o perfil de risco cardiovascular da população portuguesa e estabeleceu a prevalência dos principais fatores de risco de doenças cérebro e cardiovasculares. Avaliou ainda a perceção das pessoas relativamente ao seu estado de saúde e/ou doença, tratamento e controlo de determinadas patologias (DM, Hipercolesterolemia, Hipertrigliceridemia e HTA).
O estudo, que avaliou uma amostra de 1.688 pessoas através de um exame físico, análises clínicas e um questionário indica ainda que, apesar de se ter verificado um decréscimo na prevalência destes fatores de risco nos últimos anos, as doenças cardiovasculares continuam a ser a principal causa de morte em Portugal e a esperança de vida saudável aos 65 anos de idade é inferior à média europeia.
Retiraram-se diversos resultados e conclusões do estudo:
Cerca de 68% da população portuguesa apresentava dois ou mais FRCV e 22% da população quatro ou mais FRCV, tendo sido considerados apenas os de maior relevância (diabetes, hipercolesterolemia, Hipertensão arterial, pré-obesidade/obesidade e tabagismo). Destes, 62,1% apresentavam pré-obesidade/obesidade, sendo que 71,3% da População portuguesa apresentava uma alimentação inadequada e 29,2% tinham um baixo nível de atividade física. 43,1% da população apresentava hipertensão arterial, 31,5% colesterol superior ou igual a 160mg/dl e 51,1% superior a 130mg/dl, 25,4% apresentavam hábitos tabágicos, 18,8% de abuso de álcool e 8,9% apresentavam diabetes. A história familiar de DCV prematura contribuiu com 11,8% e a hipertrigliceridemia com 8,6% (≥ 200 mg/dL) e 18,6% (>150 mg/dL).
Além de se ter verificado prevalências dos fatores de riscos elevadas verificou-se ainda que existia um baixo índice de controlo dos mesmos, principalmente relativamente à hipertensão arterial e diabetes.
Segundo a Fundação Portuguesa de Cardiologia os 5 principais fatores de risco associados a uma prevalência de cerca de 80% das doenças cardíacas isquémicas do coração são: a hipertensão arterial, a obesidade, o tabagismo, o colesterol e a inatividade física. Todos estes fatores podem ser modificáveis, quer por medicação, quer por alteração de hábitos e de comportamentos.
Neste contexto, verifica-se a importância da promoção de medidas de estilo de vida mais saudáveis e de aumentar a literacia em saúde da população. Igualmente importante é o desenvolvimento de estratégias para aumentarem os rastreios dos fatores de risco cardiovascular às populações.
É, neste sentido, importante consultar regularmente o médico e enfermeiro de família, de forma a que seja feita uma avaliação do risco cardiovascular global e seja estabelecido um plano de intervenções individualizado que promova o controlo de todos os fatores de risco modificáveis, porque quanto mais precoce for o diagnóstico maiores são as possibilidades de impedir o aparecimento ou o agravamento de doenças cardiovasculares.
Bibliografia
Bourbon M, Alves AC, Rato Q. Prevalência de fatores de risco cardiovascular na população. Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA, IP). Lisboa. 2019. Disponível aqui.
Fundação Portuguesa de Cardiologia. Fatores de risco modificáveis e não modificáveis. FPC. 2018. Disponível aqui.
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Saiba como reconhecer um Enfarte Agudo do Miocárdio (EAM)
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É de extrema importância o reconhecimento de sinais e sintomas das doenças coronárias para permitir um rápido diagnóstico e encaminhamento do doente para que seja avaliado e submetido ao tratamento, quando indicado, o mais rapidamente possível.
O que é um enfarte agudo do miocárdio?
O enfarte agudo do miocárdio, mais conhecido como ataque cardíaco é uma das doenças cardiovasculares mais comuns, e ocorre quando uma das artérias do coração fica obstruída por uma placa de aterosclerose ou um coágulo, fazendo com que uma parte do músculo cardíaco (miocárdio) deixe de funcionar por falta de oxigénio e nutrientes. O miocárdio é o músculo do coração e é responsável por bombear o sangue para o resto do corpo. Necessita de aporte de sangue que as artérias coronárias lhe fornecem para funcionar corretamente.
Quais são os principais sinais e sintomas do Enfarte Agudo do Miocárdio?
Um dos sinais de alerta mais importante é a dor no peito ou desconforto torácico. Esta dor pode durar apenas alguns minutos ou pode ser mais prolongada e normalmente é sentida como uma dor forte e intensa tipo peso ou sensação de aperto no peito. Pode, no entanto, apresentar-se como uma sensação de ardor ou um desconforto mais subtil. A maior parte da dor localiza-se no centro do peito mas pode irradiar para outras partes do corpo como por exemplo, a região epigástrica (do estômago), os braços (mais à esquerda), costas e mandíbula.
A dor no peito pode ser acompanhada de suores frios, náuseas, vómitos, tonturas e falta de ar.
Em pessoas idosas, mulheres e diabéticos pode apresentar-se de forma diferente como um cansaço extremo, falta de ar e desmaios.
Se tiver dores no peito durante mais de 10 minutos com ou sem os restantes sintomas, deve ligar imediatamente para o 112 para enviarem o quanto antes uma ambulância. Não se deve dirigir ao hospital sozinho, uma vez que o hospital mais próximo pode não estar equipado para tratar ataques cardíacos 24 horas por dia, 7 dias por semana, além de que, a qualquer momento poderá piorar e perder a capacidade de conduzir.
E como é feito o diagnóstico e o tratamento de um enfarte agudo do miocárdio?
O diagnóstico do EAM é feito através de um eletrocardiograma e de análises ao sangue. O tratamento mais eficaz consiste na desobstrução da artéria coronária que se encontra ocluída e é responsável pelo enfarte. Este procedimento é feito através de uma angioplastia primária com recurso a cateterismo cardíaco. Podem também, em alternativa ou concomitantemente, ser administrados medicamentos capazes de dissolver o coágulo.
Quando o diagnóstico e o tratamento são atempados, é possível salvar o miocárdio e minimizar as complicações do enfarte. Se houver um atraso no diagnóstico e no tratamento do enfarte agudo do miocárdio, uma parte importante do músculo cardíaco pode morrer. Assim, o coração pode perder alguma capacidade de bombear o sangue pelo que o doente pode passar a sofrer de insuficiência cardíaca, ficando com sequelas que vão afetar a sua vida de forma permanente, como falta de ar recorrente e incapacidade de realizar esforços. Além disso, o risco de novos enfartes aumenta num doente com EAM prévio.
Homens acima dos 50 anos, mulheres acima dos 60 anos, diabéticos, hipertensos, pessoas com colesterol alto mal controlado, fumadores e pessoas com antecedentes de enfarte agudo do miocárdio ou outra doença cardiovascular estão dentro do grupo de maior risco de vir a sofrer um EAM. A componente genética também pode influenciar o aparecimento de um enfarte. Por isso quem tem história de casos de enfarte na família também está em maior risco.
Como prevenir um Enfarte Agudo do Miocárdio?
Uma mudança nos estilos de vida, com a adoção de uma alimentação mais saudável, o aumento da prática de atividade física e a diminuição de hábitos prejudiciais (deixar de fumar e diminuir o consumo de álcool) vão ajudar a prevenir um enfarte agudo do miocárdio. A vigilância, junto do seu médico e enfermeiro de família dos valores de tensão arterial, peso e colesterol também é fundamental para manter um controlo da sua saúde e ajudar na prevenção desta doença.
Bibliografia
Bourbon M, Miranda N, Moura A, Rato Q. Sabe como prevenir doenças cardiovasculares? Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge. 2016. Disponível aqui.
Direção Geral da Saúde. Programa Nacional para as Doenças Cérebro-Cardiovasculares. DGS. Lisboa. 2017. Disponível aqui.