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Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o número de pessoas, a nível mundial, com diabetes aumentou de 108 milhões em 1980 para 422 milhões em 2014. Entre 2000 e 2016, verificou-se um aumento de 5% na mortalidade prematura por diabetes e, em 2016 cerca de 1,6 milhão de mortes estiveram diretamente relacionadas com esta patologia. A OMS estima que a diabetes foi a sétima causa de morte em 2016.
Em Portugal, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), em 2018, a prevalência estimada da diabetes em idades compreendidas entre os 20 e os 79 anos (7,7 milhões de indivíduos) foi de 13,6%, o que significa que mais de 1 milhão de portugueses neste grupo etário apresentava diabetes. Em 2009 a prevalência encontrava-se nos 11,7%, tendo-se, neste sentido, verificado um aumento de 1,9 pontos percentuais entre 2009 e 2018.
É por isso, importante reconhecer esta doença como um grave problema de saúde pública e apostar no aumento da literacia em saúde, de forma a permitir a aquisição de hábitos mais saudáveis que ajudam a prevenir e controlar a diabetes e a limitar as suas complicações.
O que é a Diabetes?
A diabetes é uma doença crónica que afeta o pâncreas. O pâncreas é o órgão responsável pela produção de insulina, uma hormona que regula os níveis de açúcar (glicose) no sangue. A insulina promove a entrada da glicose nas células do organismo de forma a que possa ser aproveitada para diversas atividades celulares que são fundamentais para o funcionamento do organismo. Quando o pâncreas não produz insulina suficiente ou quando o corpo não consegue usar com eficácia a insulina produzida existe um acúmulo de glicose no sangue, o que chamamos de hiperglicemia. E nestes casos estamos perante a doença – Diabetes.
A hiperglicemia, ou aumento do açúcar no sangue, é um efeito comum da diabetes não controlada e, com o tempo, causa sérios danos a muitos sistemas do corpo, especialmente ao sistema nervoso (nervos) e circulatório (vasos sanguíneos). Por este motivo, a diabetes é uma das principais causas de cegueira, insuficiência renal, doenças coronárias, acidentes vasculares cerebrais e doenças arteriais periféricas (que resultam inúmeras vezes em amputações dos membros inferiores).
Numa fase inicial esta é uma doença silenciosa que não mostra grandes sinais, mas que com o passar do tempo torna-se uma vilã para o organismo traduzindo-se em inúmeras complicações que afetam a qualidade de vida.
Que tipos de diabetes existem?
Diabetes tipo 1
Este tipo de diabetes é caracterizado pela deficiente produção de insulina. O pâncreas deixa de produzir essa hormona porque existe uma destruição maciça das células que a produzem. Ainda não se conhece totalmente a sua causa nem forma de prevenção. Sabe-se que é o sistema imunitário do organismo da pessoa com diabetes que ataca e destrói as suas células pancreáticas e como o pâncreas não fabrica insulina as pessoas com este tipo de diabetes precisam de a administrar para toda a vida.
Conhecida também como diabetes insulinodependente, é mais comum em crianças ou jovens podendo também aparecer em adultos ou idosos, sendo mais raro.
A causa deste tipo de diabetes é a falta de insulina, não estando relacionada com estilos de vida.
Diabetes tipo 2
Este tipo de diabetes resulta do uso ineficaz de insulina pelo corpo, existindo um desequilíbrio no seu metabolismo. É o tipo mais comum de diabetes sendo diagnosticada mais frequentemente em adultos e idosos.
Neste tipo de diabetes existe um défice e uma maior resistência à insulina (é necessária mais quantidade de insulina para a mesma quantidade de glicose no sangue). Por isso as pessoas com maior resistência a esta hormona podem, numa fase inicial, apresentar valores mais altos de insulina e valores de glicose normais. Com o passar do tempo o corpo vai tendo maior dificuldade em compensar este desequilíbrio levando a um aumento dos níveis de glicose no sangue.
Este tipo de diabetes tem como principais fatores de risco a obesidade, o sedentarismo e a predisposição genética.
Diabetes gestacional
Este tipo de diabetes ocorre durante a gravidez surgindo em grávidas que não tinham a doença antes de engravidar, sendo que habitualmente desaparece após a gestação. No entanto, se não forem tomadas medidas de prevenção, estas mulheres entrarão num grupo de risco elevado de virem a desenvolver diabetes tipo 2 no futuro.
Mulheres com diabetes gestacional apresentam risco aumentado de complicações durante a gravidez e o parto.
Outros tipos de diabetes
Existem outros tipos de diabetes que são pouco frequentes e não se enquadram em nenhuma das categorias anteriores. Estes são causados por diversas causas, como doenças do pâncreas, defeitos nas suas células e na ação da insulina, endocrinopatias diversas, entre outros.
Quais são os sintomas da diabetes?
Os sintomas da diabetes são causados pelas quantidades de açúcar (glicose) no sangue. Podemos ter sintomas associados ao aumento dos níveis de açúcar – Hiperglicemia (aumento excessivo de glicemia), ou à diminuição dos níveis de açúcar – Hipoglicemia (níveis de glicemia baixos).
As pessoas sem diabetes devem ter uma glicemia entre 80 e 110 mg/dl antes das refeições e entre 110 e 140 mg/dl depois das refeições.
Uma pessoa diabética deve tentar aproximar-se o mais possível destes valores. No entanto, estes podem variar consoante a idade da pessoa e os anos de evolução da doença. As equipas de saúde poderão estabelecer objetivos diferentes tendo em conta a especificidade e individualidade de cada um.
A hiperglicemia pode acontecer nas pessoas com diabetes mal controlada ou quando existe ingestão de uma grande quantidade de hidratos de carbono. A hiperglicemia pode causar sintomas como:
- Urinar com muita frequência (poliuria);
- Sede constante e intensa (polidipsia);
- Sensação de boca seca (xerostomia);
- Fome constante e difícil de saciar;
- Cansaço;
- Comichão no corpo (sobretudo ao nível dos órgãos genitais);
- Visão turva.
A insulina serve para fazer com que o açúcar existente no sangue, que é a nossa principal fonte de energia, seja bem aproveitado, para nos garantir energia para as atividades de vida diária. Quando isso não acontece as pessoas ficam com hiperglicemia e sentem-se mais cansadas e com falta de força e energia.
No adulto a diabetes pode passar despercebida durante anos porque é habitual não dar sintomas no início. Os sintomas só surgem quando a glicemia está muito elevada. Contudo, o açúcar em excesso vai provocando danos mesmo sem se dar por isso.
Os sintomas na criança e no jovem geralmente aparecem de maneira súbita, sendo associados a diabetes tipo 1. Os sintomas mais comuns são:
- Urinar muito (por vezes, pode voltar a urinar na cama);
- Muita sede;
- Emagrecimento rápido;
- Cansaço;
- Dores musculares;
- Dores de cabeça;
- Náuseas e vómitos.
Perante estas situações, o diagnóstico de diabetes deve ser rápido de forma a se iniciar o tratamento com insulina. Caso contrário a pessoa pode entrar em coma diabético correndo perigo de vida.
A Hipoglicemia ocorre geralmente em pessoas diabéticas que usam medicamentos para controlar a doença, como a insulina ou antidiabéticos orais e ocorre geralmente por três motivos (isolados ou em conjunto): toma excessiva ou incorreta da medicação, um jejum prolongado e/ou a prática de exercício físico inadequado.
Por isso é muito importante para quem toma medicação para a diabetes, ter muita atenção com a alimentação e com a prática de atividade física para que a glicemia não desça demasiado, tendo em conta que os níveis de açúcar no sangue não devem estar abaixo dos 70mg/dl.
Os sintomas de hipoglicemia são:
- Dificuldade em raciocinar;
- Tremores;
- Palidez;
- Palpitações;
- Formigueiros nos lábios e língua;
- Convulsões (em casos mais graves);
- Perda de consciência (em casos mais graves);
- Coma (em casos mais graves).
Complicações da diabetes
Numa fase inicial a diabetes pode passar despercebida e os primeiros sintomas podem surgir quando a doença já está praticamente estabelecida. Muitas vezes o diagnóstico surge quando a pessoa se depara com alguma das complicações da diabetes e vai procurar ajuda. Estas complicações evoluem de forma silenciosa e muitas vezes já estão instaladas quando são detetadas. Cerca de 40% das pessoas com diabetes vêm a ter complicações tardias da sua doença.
De um modo geral as complicações podem ser divididas em:
- Microvasculares (onde existem lesões dos vasos sanguíneos pequenos): retinopatia, nefropatia e neuropatia;
- Macrovasculares (onde existem lesões dos vasos sanguíneos grandes): doença coronária, doença cerebral, doença arterial dos membros inferiores e hipertensão arterial;
- Neuro, macro e microvasculares (incluem alterações de vasos sanguíneos pequenos, grandes e de nervos): pé diabético;
- Outras complicações: disfunção sexual, infeções etc.
Estudos revelam que:
- Os adultos com diabetes têm um risco duas a três vezes maior de sofrer de doenças cérebro e cardiovasculares;
- Combinada com a redução do fluxo sanguíneo, a neuropatia (lesão dos nervos) aumenta a probabilidade de surgirem úlceras nos pés, que podem evoluir para infeção e eventual necessidade de amputação do membro;
- A retinopatia diabética é uma causa importante de cegueira e ocorre como resultado de danos acumulados a longo prazo nos pequenos vasos sanguíneos da retina. A diabetes é a causa de 2,6% da cegueira global;
- A diabetes está entre as principais causas de insuficiência renal.
Atualmente, com o devido acompanhamento e vigilância, já é possível reduzir os danos destas complicações através de um controlo rigoroso da glicemia, da tensão arterial e dos valores de lípidos (gorduras) no sangue, assim como através da vigilância periódica dos órgãos mais atingidos pela diabetes (olho, rim, coração, etc.).
E como é feito o diagnóstico da diabetes?
O diagnóstico é feito através dos sintomas da pessoa e confirmado com análises sanguíneas. Muitas vezes este diagnóstico é feito através de exames de rotina (sangue e/ou urina), onde surgem valores de glicemia aumentados sem que ainda existam sintomas por parte do doente. No caso da diabetes tipo 2 os sintomas surgem de forma gradual e quase sempre lentamente, daí a dificuldade de diagnóstico numa fase inicial.
O diagnóstico laboratorial de diabetes pode ser confirmado se:
- Apresentar uma glicemia ocasional de 200 mg/dl ou superior com sintomas;
- Apresentar uma glicemia em jejum (8 horas) de 126 mg/dl ou superior em 2 ocasiões separadas por um curto espaço de tempo.
A importância do acompanhamento médico e da auto monitorização da diabetes
É importante que o doente compareça às consultas médicas e de enfermagem regularmente, conforme a marcação, pois é nestas consultas que vai receber orientações sobre a doença e seu tratamento. Só um especialista saberá indicar de forma correta como evitar as complicações da diabetes, quais os cuidados a ter com a alimentação e as orientações sobre atividade física, como usar a insulina ou outros medicamentos, como usar os aparelhos de medição de glicemia assim como as canetas de insulina e fornecer orientações de como proceder em situações de hipo e hiperglicemia.
Nas consultas são ainda solicitados os exames que deve realizar regularmente e são realizadas avaliações das possíveis complicações da diabetes, como a vigilância dos pés, da acuidade visual e dos valores analíticos das análises sanguíneas pedidas.
Para que exista um melhor controlo da doença e dos valores de glicemia é importante também que o doente faça uma auto monitorização dos seus valores de açúcar no sangue. Para isso são usados aparelhos (máquinas de avaliação de glicemia) de fácil utilização que fornecem o resultado da glicemia em apenas alguns segundos. O objetivo deste controlo, além da correção de eventuais hiperglicemias é também tentar manter a glicemia o mais próximo da normalidade, sem causar episódios de hipoglicemia.
Desta forma, a monitorização por parte do doente permite que este avalie a sua resposta aos alimentos, medicamentos (em especial à insulina) e à atividade física praticada permitindo ter mais autonomia e gerir melhor a sua vida diária para evitar futuras complicações da diabetes. Contudo deve seguir sempre as orientações do seu médico e enfermeiro de família.
Um passo importante para ajudar a estabilizar os valores de glicemia na diabetes e que depende exclusivamente de cada pessoa, é a aquisição de hábitos de vida saudáveis. Seguir um plano alimentar saudável ajustado às necessidades de cada um assim como apostar na prática de atividade física, (fazer caminhadas, p.ex) é essencial para manter os valores de glicemia estáveis e desta forma conseguir controlar a diabetes.
Se mesmo tendo estes cuidados, e fazendo a restante medicação aconselhada, se mantiver a hiperglicemia é aconselhável falar com a equipa de saúde que o acompanha, pois pode ser necessário fazer um ajuste no tratamento.
Contudo é importante ressalvar que existem hiperglicemias ocasionais que podem ser provocadas por uma ingestão excessiva em hidratos de carbono, por períodos de doença aguda como no caso de infeções urinárias, respiratórias, entre outras, por situações de stress e outros motivos. Nestes casos e quaisquer que sejam as causas da hiperglicemia o indivíduo deve sempre aumentar a ingestão de água durante o período de descompensação.
Para detetar esta situação e para que a pessoa possa estar a par do que se passa no seu organismo, convém fazer o autocontrolo sugerido pela equipa de saúde.
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Desidratação e a importância da hidratação
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A água representa cerca de 75% do peso corporal humano à nascença. À medida que a idade avança é responsável por cerca de 60% da composição de um organismo adulto. Entre todos os nutrientes essenciais para o nosso organismo, a água é o elemento crucial para uma hidratação saudável, mais saúde e bem-estar.
A água tem várias funções no nosso organismo. Regula a temperatura corporal e desempenha a função de transportadora, fornecendo nutrientes às células e eliminando várias substâncias tóxicas do nosso corpo, mantendo os órgãos a funcionar adequadamente.
Podemos sobreviver sem comida durante semanas, em contrapartida, a desidratação pode matar em dias ou mesmo horas, dependendo da temperatura e do ambiente em que nos encontramos.
O que é a desidratação?
A desidratação acontece quando o nosso corpo perde mais água do que aquela que ingere. Juntamente com a água, são perdidas pequenas quantidades de eletrólitos essenciais ao funcionamento e energia das células, como o sódio e potássio. Estas alterações no equilíbrio hidroeletrolítico podem provocar graves problemas de saúde.
Todos os dias, através das funções fisiológicas normais, perdemos entre 1800 e 2300 ml/dia de água e eletrólitos, através da transpiração, exalação de vapor de água pela respiração, pela excreção de urina e fezes. Por isso, basta uma leve desidratação para afetar muitas das funções diárias do seu corpo.
Quais são os sinais e sintomas de desidratação?
Os sinais de desidratação variam de acordo com a faixa etária e o nível de desidratação.
Os bebés e crianças pequenas podem não ser capazes de reconhecer a sua necessidade de líquidos, por isso é fundamental fornecer a sua ingestão de forma frequente e ficar atentos aos sintomas de desidratação como: pele, boca e língua secas, diminuição da quantidade de urina nas fraldas, urina escura e com odor forte, olhos e bochechas encovadas, choro sem lágrimas, muita sede, fontanela (moleira) afundada, irritabilidade ou letargia e sonolência excessiva.
Os adultos podem apresentar outros sinais de desidratação incluindo cansaço, tonturas, confusão mental, micções menos frequentes e com urina mais escura e com cheiro intenso, pele e mucosas secas e sensação de sede extrema.
Os idosos podem não sentir sede, pelo que o risco de desidratação é maior. A desidratação nos idosos é um motivo comum de internamentos e um fenómeno relacionado com o aumento da morbilidade e mortalidade nesta faixa etária.
Associado ao aumento de taxa de mortalidade em idosos estão afetas várias condições como infeções urinárias, insuficiência renal, hipertermia em condições de temperaturas elevadas, obstipação (prisão de ventre), dores de cabeça, confusão e delírio, que muitas vezes se relacionam com o diagnóstico desidratação.
A desidratação pode provocar alterações do funcionamento gastrointestinal como a obstipação (prisão de ventre), pois o intestino vai “roubar” a água das fezes para manter o funcionamento do sistema digestivo. Pode ainda existir a cristalização de sais e minerais na urina, podendo provocar quadros de litíase renal (pedras nos rins).
Além disso, a desidratação diminui a capacidade de concentração, causa problemas de memória a curto prazo e pode levar a alterações de humor e crises de ansiedade.
Uma das melhores formas de observar se temos falta de líquidos é através da urina. Quanto mais concentrada/escura estiver, mais desidratado pode estar. Se a urina tiver uma cor clara e não apresentar cheiro é um dos sinais de que estamos a beber líquidos em quantidade suficiente.
Causas de desidratação
É importante ressalvar que a falta de líquidos não é a única causa da desidratação. Episódios de diarreia e/ou vómitos, febre alta e o uso de determinados medicamentos como os diuréticos e anti hipertensores, podem aumentar a quantidade de líquidos e eletrólitos eliminados pelo que, é de extrema importância aumentar a hidratação nessas condições, com exceção de casos em que existe limitação da ingestão de líquidos como na insuficiência cardíaca, por exemplo. Nessas circunstâncias é recomendado seguir as indicações do médico.
As alterações climáticas como o aumento da temperatura ambiente e da humidade também aumentam o risco de desidratação assim como a prática de exercício físico. Nestas situações a ingestão de líquidos deve ser aumentada.
Como prevenir a desidratação e quais as recomendações para se manter hidratado?
Os especialistas recomendam beber cerca de 8 copos de 250ml de líquidos por dia, de preferência água, o que equivale a 2l por dia. Devem ser repartidos durante o dia e não beber tudo de uma vez, de forma a manter o corpo hidratado nas 24 horas. Deve também ter em atenção de que deve beber água mesmo sem sentir sede. A sede é um dos primeiros sintomas que indicam que o corpo precisa de mais água.
No entanto, as necessidades de água podem variar não só de indivíduo para indivíduo, como também de um dia para o outro. A recomendação de 2 litros por dia pode ser suficiente para alguns casos, mas poderá ser insuficiente em muitas situações. Dependendo do clima, da atividade física e da idade, a necessidade de cada pessoa pode variar.
Contudo, a água que consumimos não vem só dos líquidos. Todos os alimentos têm água, alguns em maior ou menor quantidade. As frutas, os vegetais e os legumes são habitualmente os mais ricos em água, como a melancia, laranja, tomate, alface, pepino, pimentão, couve-flor, etc. As sopas e gelatinas também são ricas em água, sendo uma escolha saudável para se manter hidratado. Outra forma de ingerir líquidos para quem não gosta do sabor da água é beber águas aromatizadas, com rodelas de limão e/ou pepino, folhas de hortelã ou um pau de canela. As tisanas e os chás também são uma opção interessante, pois podem ser bebidas quentes ou frias, adaptando-se à altura do ano e ao gosto de cada um.
É extremamente importante relembrar que se deve apostar em bebidas com poucas ou nenhuma caloria, evitando as bebidas alcoólicas, os refrigerantes e/ou qualquer bebida com adição de açúcar ou adoçante. A maioria das bebidas vitaminadas e energéticas apresentam grandes quantidades de açúcar, pelo que é importante estar atento ao seu consumo.
Em determinadas situações em que a perda de água e eletrólitos pode estar aumentada, como em casos de diarreia persistente ou durante a prática de exercício físico intenso, a ingestão de bebidas com eletrólitos pode ser uma ajuda na reposição desses minerais.
Em situações de desidratação grave, é realizada a reposição de fluídos e eletrólitos através de via endovenosa (através de uma veia), pelo que será necessário procurar ajuda médica quando os sintomas de desidratação são mais graves e persistente.
Estar bem hidratado melhora todo o funcionamento do organismo, melhora a qualidade do sono, da cognição e do humor. São visíveis ainda, os benefícios da hidratação na pele e cabelo, que ficam com uma aparência mais hidratada e saudável.
Beber água pode ainda ajudar na perda de peso. A ingestão de água, principalmente antes das refeições, vai provocar uma sensação de saciedade levando a que se coma menos quantidade de comida durante a refeição permitindo reduzir o número de calorias ingeridas.
Beber mais água equivale a mais ganhos em saúde. Por isso, pela sua saúde beba mais água.
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